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03 de janeiro de 2019, 16h05

Projeto tem como objetivo democratizar viagens entre mulheres negras

Grupo formado por 14 viajantes e influenciadoras digitais negras almeja a ruptura de estereótipos e paradigmas estabelecidos à mulher que viaja sozinha

(Foto: Divulgação)

Um grupo formado por 14 viajantes e influenciadoras digitais negras almeja a ruptura de estereótipos e paradigmas estabelecidos à mulher que viaja sozinha. Idealizado pela viajante Rebecca Aletheia, o projeto tem pretende incentivar mulheres negras a conhecer não só suas respectivas cidades, mas outros países, empoderando-as e engrandecendo suas visibilidade e autoestima. O projeto será lançado na quarta-feira (9), no Aparelha Luzia, em São Paulo.

O primeiro encontro das mulheres do projeto ocorreu em dezembro de 2018, na praia de Guaiúba, em Guarujá, itoral Sul de São Paulo. Elas debateram aspectos da língua Bitonga, de origem bantu, de tronco nígero-congolês, falada mais especificamente na região do Inhambane, em Moçambique. Traz consigo traços fonológicos semelhantes aos sons do português brasileiro.

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Quatorze viajantes de diferentes lugares transformaram a viagem à praia no seu grande escritório, pautando questões de negritude feminina no espaço turístico, com o intuito de impactar e proporcionar mudanças no setor do turismo. Como mulheres negras viajando sozinhas pelo mundo e compartilhando vivências pessoais.

Uma questão comum entre todas as participantes foi o fato de que as mulheres negras não se sentem representadas pelo turismo, sendo muitas delas por vezes excluídas e desconsideradas no meio turístico hoteleiras. “Reunir mulheres negras viajantes da América Latina e Caribe tem muito significado para outras mulheres. Muitas vezes elas se veem sozinhas no espaço de viagem. Isso acontece porque é difícil encontrar mulheres negras viajando por conta da própria economia. Uma mulher negra recebe menos que uma mulher ou homem branco, elas estão nas periferias, não têm acesso ao centro da cidade, cuidam das casas, dos filhos, da família, da mãe, pagam aluguel, ou seja, são vários os fatores que impedem”, explica Rebecca Aletheia, que já viajou por diversos países, como Argentina, Peru, Bolívia, Venezuela, Moçambique, África do Sul, Uzbequistão, Turquia, Portugal, França, Espanha, entre outros.

Números

A condição da mulher negra citada por Rebecca justifica-se em números. Em março de 2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que se para as mulheres brancas a queda na ocupação de postos de gerência foi de 1,2 ponto percentual entre 2012 e 2016 — passando de 39,7% para 38,5% dos cargos —, para as negras foi de 4,7 pontos no mesmo período — caindo de 39,2% para 34,5%. As mulheres negras também têm salários menores, tanto em relação a homens e mulheres brancos quanto em relação a homens negros.

Segundo estudos, as mulheres que conseguem delegar mais as tarefas domésticas são as de classes sociais mais altas, em sua maioria mulheres brancas. Portanto, uma mulher negra viajar sozinha, é uma forma de estreitamento das fronteiras e também de ascensão social.

Entretanto, a idealizadora lembra que viajar não é somente se deslocar para o exterior, fazer um plano de viagem, hospedar-se num hotel de prestígio. Viajar vai muito além disso. Viajar é sair da própria região e ir para o centro da cidade, viajar é visitar nossa tia na cidade vizinha, ou quando visita-se o bairro em que cresceu.

Segundo Rebecca, outros encontros acontecerão e as experiências e vivências dessas mulheres poderão ser conferidas pelas redes sociais. O projeto vai unificar essas vivências e reforçar o conceito de mulher negra circulante que quer ocupar os lugares que lhe foram negligenciados.

Serviço

Lançamento Projeto Bitonga Travel –

Dia 09 de janeiro, às 20h

Local: Aparelha Luzia – Rua Apa, 78, Santa Cecília – São Paulo

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