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Na Argentina, mulher é condenada a um ano de prisão por beijo lésbico em público

Oficialmente, a sentença é por “resistência à prisão”, mas é só conhecer melhor a história para entender que isso não passou de um pretexto. A FALGBT (Federação Argentina LGBT) estuda denunciar o caso em instâncias internacionais de defesa dos direitos humanos

Por
Victor Farinelli
-
28/06/2019 13:45
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Beijar em público pode te levar para a cadeia? Se você é lésbica e vive na Argentina, sim! Ao menos foi o que aconteceu com Mariana Gómez, uma jovem portenha que foi condenada nesta sexta-feira (28) a um ano de prisão pelo beijo que deu em sua esposa, Rocío Girat, em outubro de 2017, quando estavam numa estação de trens de Buenos Aires.

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Oficialmente, a sentença é por “resistência à prisão”, mas é só conhecer melhor a história para entender que isso não passou de um pretexto: Mariana e Rocío acabavam de entrar na Estação Constitución. Estavam namorando, conversando, esperando o horário do trem. Mariana entrou na estação fumando, tinha o cigarro entre os dedos. Deram um beijo.

De repente, dois guardas da estação se aproximaram e falaram a elas para se afastassem, alegando de forma hostil que Mariana teria que apagar o cigarro, porque não era permitido fumar. A jovem não se negou a fazê-lo, mas se justificou dizendo que não havia placas no local dizendo que era proibido fumar, por isso não o fez antes. Aliás, elas tentaram sair da estação, mas um dos guardas a impediu dizendo “você não pode fugir”. Ela tentou se desvencilhar, então o outro guarda a rendeu com uma chave de braço e pediu apoio policial, diante dos gritos desesperados de sua esposa.

Mariana evidentemente tentou resistir, porque não entendia porque estava sendo presa, já que mesmo a lei de proibição do cigarro não prevê pena de prisão e sim de multa. A defesa da jovem alega que não há dúvidas de que a reação desproporcional dos guardas foi uma atitude lesbofóbica, gerada pela intolerância deles ao beijo entre as duas, já que, mesmo que tivessem razão em acusá-la por uma infração leve, não havia porque usar a força ou dar voz de prisão. Aliás, o próprio processo não girou em torno da infração com o cigarro, e sim pela suposta “resistência à prisão” de Mariana.

“Não é possível, os pedófilos deveriam ser presos, os feminicidas deveriam presos, e não a gente”, disse Mariana, entre lágrimas, minutos depois de escutar a sentença da juíza, que deu razão à acusação, embora várias testemunhas do caso tenham afirmado no processo que realmente não havia placar no local avisando da proibição de fumar, confirmando a versão de Mariana.

A defesa da jovem já afirmou que vai apelar da sentença. A FALGBT (Federação Argentina LGBT) estuda denunciar o caso em instâncias internacionais de defesa dos direitos humanos.

Com informações do Página/12.

Este post foi modificado pela última vez em 28/06/2019 17:27

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).

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