Milos Morpha

por Cesar Castanha

23 de agosto de 2012, 15h41

Na Direção: Pedro Almodóvar 1 – Labirinto de Paixões (1982)

Se já não conhecêssemos o homem por trás da piada, o humor de “Labirinto de Paixões” poderia até ter soado involuntário. Pedro Almodóvar, o rei do camp, brinca com questões como estupro, incesto, ninfomania e homossexualidade em pleno ano de 1982 como se fossem questões corriqueiras para todos os cidadãos de Madrid.
A história se constrói ao redor de dezenas de personagens entrelaçados pelas suas relações sexuais. Sexilia (Cecilia Roth) é uma jovem ninfomaníaca com fotofobia que se apaixona por Riza Niro (Imanol Arias), um príncipe islâmico exilado na Espanha. Riza, por sua vez, tem um caso com Sadec (Antônio Bandeiras antes da fama), um terrorista com olfato aguçado cuja missão é justamente sequestrar o tal príncipe.
Começando pelo nome da protagonista, Almodóvar está sempre no controle de todos os seus exageros e absurdos fazendo do bizarro uma deliciosa dramédia. Ele se mostra tão competente no papel de dramaturgo que mesmo apesar da existência de inúmeros enredos secundários, absolutamente nada soa perdido ou fora de lugar.
Pode ser preciso deixar claro que em momento nenhum o diretor se mostra político, ou nem sequer curioso, quanto a nenhuma das questões sexuais mencionadas. Ele apenas as trata com uma assustadora naturalidade. Mas por que tal naturalidade assusta hoje e por que assustaria Madrid em 1982? O quão cotidiano tais questões não realmente são? Ao fantasiar aquilo tido como absurdo e expô-lo como efêmero, Almodóvar se torna um símbolo de ousadia. Ele é um grande fofoqueiro que descobriu os segredos íntimos de todas as famílias da Espanha e espalhou-os no cinema. Seus filmes ridicularizam o público não pelos segredos em si, mas pelo esforço que foi feito para mantê-los secretos.  

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