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30 de junho de 2019, 22h03

Neguinho da Beija-Flor: “é importante termos iniciativas como a do museu e a do coletivo de artistas pretos”

Para o sambista, "a nossa história foi queimada, pouco se sabe ainda. Por isso, é importante termos iniciativas como a do museu e a do coletivo de artistas pretos". Ele também criticou o craque Pelé, que ele considera que nega o racismo existente do Brasil: "Pelé nega o racismo. Eu, não. Não fui embranquecido por conta da fama e do dinheiro e continuo sofrendo com isso".

O sambista Neguinho da Beija-Flor. (Foto: Divulgação)
Em uma entrevista para o jornal Extra, publicada neste domingo o famoso sambista Neguinho da Beija-Flor falou sobre os seus 70 anos recém completados, e não deixou de comentar sobre a luta dos negros por respeito e igualdade no Brasil. Inscreva-se no nosso Canal do YouTube, ative o sininho e passe a assistir ao nosso conteúdo exclusivo O artista recorda um caso que ele considera marcante, e que exemplifica o racismo no mundo da música brasileira: “me ligaram pedindo para eu autorizar o uso da música “É campeão” (aquela dos versos “Domingo, eu vou ao Maracanã/Vou torcer pro time que...

Em uma entrevista para o jornal Extra, publicada neste domingo o famoso sambista Neguinho da Beija-Flor falou sobre os seus 70 anos recém completados, e não deixou de comentar sobre a luta dos negros por respeito e igualdade no Brasil.

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O artista recorda um caso que ele considera marcante, e que exemplifica o racismo no mundo da música brasileira: “me ligaram pedindo para eu autorizar o uso da música “É campeão” (aquela dos versos “Domingo, eu vou ao Maracanã/Vou torcer pro time que sou fã”) num comercial nacional por seis meses, e me ofereceram R$ 25 mil. Só que eu liguei para um amigo compositor, branco e de olhos azuis, que recebeu R$ 350 mil para liberar uma canção dele, tão conhecida quanto a minha. Não topei, claro”.

Não foi o único exemplo citado por ele: “já me ofereceram R$ 10 mil para fazer uma campanha publicitária ao lado de uma atriz branca, que ganharia R$ 150 mil. Também não aceitei. A Friboi quis me pagar R$ 1 mil para ser garoto-propaganda deles. Tá louco? Eles não querem deixar o negro vencer, mas a gente vai continuar lutando”.

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Para o sambista, “a luta pelos direitos civis do negro é muito importante. A nossa história foi queimada, pouco se sabe ainda. Por isso, é importante termos iniciativas como a do museu e a do coletivo de artistas pretos”.

Ele também criticou o craque Pelé, que ele considera que nega o racismo existente do Brasil: “Pelé nega o racismo. Eu, não. Não fui embranquecido por conta da fama e do dinheiro e continuo sofrendo com isso”.

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