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12 de dezembro de 2017, 11h44

“Nem todos os políticos são ladrões. Eu não sou”, afirma Ciro Gomes

Em evento realizado em Santos, no litoral e São Paulo, pré-candidato à presidência pelo PDT ressalta a desilusão do povo brasileiro com a classe política e debate temas nacionais, como a crise econômica e o processo sucessório.

Em evento realizado em Santos, no litoral de São Paulo, o pré-candidato à presidência pelo PDT ressalta a desilusão do povo brasileiro com a classe política e debate temas nacionais, como a crise econômica e o processo sucessório. Por Lucas Vasques “A população começa o processo sucessório com uma desconfiança grave na própria narrativa da política e não faltam razões para isso. No entanto, o importante é perceber que os políticos não são todos iguais, como alguns querem fazer parecer. Nem todos são ladrões. Eu não sou”. A afirmação é de Ciro Gomes, pré-candidato à presidência da República pelo PDT....

Em evento realizado em Santos, no litoral de São Paulo, o pré-candidato à presidência pelo PDT ressalta a desilusão do povo brasileiro com a classe política e debate temas nacionais, como a crise econômica e o processo sucessório.

Por Lucas Vasques

“A população começa o processo sucessório com uma desconfiança grave na própria narrativa da política e não faltam razões para isso. No entanto, o importante é perceber que os políticos não são todos iguais, como alguns querem fazer parecer. Nem todos são ladrões. Eu não sou”.

A afirmação é de Ciro Gomes, pré-candidato à presidência da República pelo PDT. Ele participou do evento “Jose Martí discute o Brasil – Ciclo de Debates”, organizado pela Associação Cultural Jose Martí e realizado no auditório da Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, litoral de São Paulo. A Fórum transmitiu ao vivo a palestra do candidato, em sua página no Facebook, atingindo cerca de 25 mil visualizações.

Ciro dividiu a palestra em dois tópicos. Primeiro discutiu “O que aconteceu para o Brasil chegar onde chegou”, destacando a crise atual, que ele considera a mais grave da história do país. Em seguida abordou “O que fazer para mudar esse cenário”. Dentro desses temas, ele fez análises de assuntos como Educação, Previdência Social, processo sucessório, papel dos partidos progressistas, Economia, história do Brasil, entre outros.

O ex-ministro e ex-governador do Ceará justificou a desilusão do povo brasileiro em relação aos políticos em função da crise econômica, que jogou 13.400 milhões de pessoas para o desemprego. “Hoje, existem R$ 160 bilhões de déficit primário na conta pública, ou seja, essa é a diferença do que o país arrecadou em relação ao que gastou. Outro dado importante é que temos na atualidade a menor taxa de investimentos da história. Em síntese, a recessão á a pior possível e a população olha para a política.

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Ciro faz um alerta. “O próximo presidente da República vai pegar 23 dos 27 estados quebrados. Se você não tiver a oportunidade de negociar com governadores um novo projeto nacional de desenvolvimento que redesenhe as finanças do país, um sistema tributário mais moderno, mais justo, um sistema previdenciário que sinalize que nossos filhos não vão pagar uma dívida e que nós vamos deixar uma poupança para os nossos netos, você não terá outra ocasião”.

Além disso, na avaliação do pré-candidato do PDT, a corrupção sistêmica também ajuda a criar esse cenário de desânimo. “Corrupção é uma inerência da obra humana, todos os homens são frágeis e na política sempre acontecerá. O que você pode prometer é que não vai aceitar a impunidade”, analisa.

O ex-ministro destaca que não deve generalizar quando se refere aos políticos, prática comum, que só serve a quem já ocupa o poder, segundo ele. “O que distingue é a ideia e o exemplo. A população, que está muito machucada, tem todas as razões para estar indignada com a política e o apelo por uma coisa nova é um apelo totalmente correto ao país. O que não podemos, a pretexto de qualquer tipo de respeito que se tenha ao povo, e o maior de todos é o meu, é aceitar a ideia de que fora da política há alguma solução pra quaisquer que sejam as questões. Não há. A saída para o Brasil está na política. Na boa política”.

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Ciro Gomes não poupou o atual governo e reiterou a posição de que Dilma Rousseff (PT), apesar de todos os erros, foi vítima de um golpe. “Quem estuda, sabe que a história do Brasil tem uma baixa tradição democrática. O que estamos vivendo é mais um golpe. Para a população isso é devastador, mas o Michel Temer é um ladrão. É inadmissível que, na mesma semana em que pede que a população tenha espírito público e faça o sacrifício de apoiar a reforma da Previdência, que é uma selvageria sem precedentes no mundo, este governo emite uma medida provisória proporcionando isenção de mais de R$ 1 trilhão para empresas petrolíferas estrangeiras”.

Adversários

O pré-candidato à presidência pelo PDT elogiou nomes como Manuela D´ Avila (PCdoB), Marina Silva (Rede) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), todos possíveis adversários na corrida presidencial, abrindo um capítulo à parte para falar do ex-presidente. “O Lula teve uma passagem benfazeja na presidência da República. Diferentemente dos petistas, eu sustento isso com números. O Lula tomou o salário mínimo, em poder de compra, a 76 dólares e entregou a 320. O Lula expandiu o crédito de 17% para 55% do PIB, dirigindo-o para a agricultura familiar, para a construção civil e criou uma rede de proteção social, que, mesmo compensatória, foi muito relevante. Apesar de não emancipar nação nenhuma, foi muito importante, especialmente para quem, como eu, vem do sertão semiárido. Agora, o que faltou ao Lula? Um projeto. Qual foi a reforma que o Lula propôs, fora a tomada de três pinos? Por que o país quebrou, já com a Dilma? Porque não tem projeto. E nós repetimos o filme. Lá atrás, o Fernando Henrique expandiu o consumo, a produção definhou, nós importamos, importamos e importamos e enquanto os preços das commodities são altos, a gente disfarça. Quando os preços caem, a gente quebra. É rigorosamente o mesmo filme. A Dilma chegou a botar a taxa de juros a 14,25% e nomear o Levy ministro da Fazenda. Isso não é progressismo”, critica.

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Ainda a respeito de Lula, Ciro fez mais referências positivas e negativas: “Sou amigo do Lula, o respeito muito e reconheço o trabalho importante que ele fez, principalmente no aspecto social. O Lula, para mim, é um grande brasileiro, mas nem ele, nem o PT tinham um programa estrutural, capaz de enfrentar os graves problemas nacionais. Além disso, ele é o culpado pela ascensão do PMDB ao Palácio do Planalto. É o grande responsável por ter feito esse tipo de aliança, que botou o Michel Temer na vice-presidência e na linha de sucessão. Também é o grande responsável por ter dado poder ao Eduardo Cunha para e chegar à presidência da Câmara, comprar deputados e promover o golpe”.

Foto: Bruno Santana

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