Bolsonaro convocou atos em apoio a si, diz PGR sobre 7 de Setembro

Além de Bolsonaro, Lindôra Araújo, braço direito de Augusto Aras, cita na investigação o sobrinho Léo Índio, próximo a Carlos Bolsonaro, e o possível envolvimento de ministros do governo na organização dos atos antidemocráticos

Jair e Carlos Bolsonaro com Léo Índio (Reprodução)
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Na primeira citação direta a Jair Bolsonaro (Sem partido) no inquérito que investiga a convocação dos atos antidemocráticos do dia 7 de Setembro, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, braço direito de Augusto Aras, confirma que partiu do próprio presidente a iniciativa de convocar manifestações para defender seu governo.

Leia a mensagem divulgada por Bolsonaro citada pela PGR

“A princípio, a organização da realização de prováveis atos de ataque à democracia e às instituições iniciou-se com entrevista do presidente da República informando que haveria ‘contragolpe’ aos atos entendidos como contrários à sua gestão, em 15 de agosto do presente ano”, afirma a procuradora no inquérito a que o jornal O Globo teve acesso.

Em mensagem divulgada nas redes sociais no dia 15 de agosto, Bolsonaro prega um "contragolpe" no dia 7 de Setembro para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF).

O texto golpista difundido por Bolsonaro é assinado por um grupo de apoiadores chamado “Ativistas Direita Volver”.

“Hoje, fazer um contragolpe é muito mais difícil e delicado do que naquela época, além do grave aparelhamento acima relatado, temos uma constituição comunista que tirou em grande parte os poderes do Presidente da República e foi por estes motivos que o Presidente Bolsonaro, no início de agosto, em vídeo gravado, pediu para que o povo brasileiro fosse mais uma vez às ruas, na Avenida Paulista, no dia sete de setembro, dar o último aviso, mas, desta vez, ele reforçou que o “contingente” deveria ser absurdamente gigante”, diz trecho da mensagem.

Ministros e Léo Índio

Além da citação a Bolsonaro, Lindôra Araújo investiga a participação de ministros do governo na organização desses atos e rastreia o fluxo financeiro dos alvos para descobrir os financiadores.

Sobrinho de Bolsonaro, Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, é um dos alvos da investigação. Próximo aos filhos de Bolsonaro, especialmente de Carlos, Léo Índio seria um dos principais propagadores das convocações para os atos.

Na investigação, a procuradora estabelece o dia 15 de agosto como “marco temporal em que iniciadas as convocações para os atos antidemocráticos.