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22 de novembro de 2012, 11h34

Gaza: Noam Chomsky escreve manifesto contra cobertura parcial da mídia

De acordo com manifesto, "Israel continua seus crimes contra a humanidade com a anuência plena e apoio financeiro, militar e moral de nossos governos, os EUA, o Canadá e a União Europeia”

De acordo com manifesto, “Israel continua seus crimes contra a humanidade com a anuência plena e apoio financeiro, militar e moral de nossos governos, os EUA, o Canadá e a União Europeia” Tradução e edição por Larriza Thurler, no Observatório da Imprensa O linguista, filósofo e ativista político Noam Chomsky, a professora de linguística Hagit Borer, o compositor Antoine Bustros, o ativista David Heap, entre outros, escreveram um manifesto, no site Stop the War Coalition [15/11/12], criticando a cobertura da mídia mundial sobre a crise em Gaza. Eles pediram, ainda, a jornalistas de grandes veículos que se recusem a ser...

De acordo com manifesto, “Israel continua seus crimes contra a humanidade com a anuência plena e apoio financeiro, militar e moral de nossos governos, os EUA, o Canadá e a União Europeia”

Tradução e edição por Larriza Thurler, no Observatório da Imprensa

O linguista, filósofo e ativista político Noam Chomsky, a professora de linguística Hagit Borer, o compositor Antoine Bustros, o ativista David Heap, entre outros, escreveram um manifesto, no site Stop the War Coalition [15/11/12], criticando a cobertura da mídia mundial sobre a crise em Gaza. Eles pediram, ainda, a jornalistas de grandes veículos que se recusem a ser instrumentos da política sistemática de dissimulação, assim como a cidadãos que se informem por meio de mídia independente.

Segundo os signatários do manifesto, o grau de terror sentido pelos civis palestinos em Gaza está escassamente sendo noticiado na mídia, em forte contraste à atenção do mundo voltada aos cidadãos israelenses chocados e aterrorizados. “Enquanto países da Europa e América do Norte homenageavam, no dia 11/11, vítimas militares de guerras passadas e presentes, Israel estava atacando civis. No dia 12/11, leitores foram inundados no café da manhã com relatos de baixas militares atuais e passadas. Houve, entretanto, pouca ou nenhuma menção do fato de que a maior parte das vítimas das guerras dos dias de hoje é de civis. Houve quase nenhuma menção dos ataques militares na manhã do dia 12/11 em Gaza, que continuaram ao longo da semana”, denunciaram.

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Uma varredura superficial confirma que isso aconteceu nos veículos canadenses CBS, Globe and Mail, Gazette, Toronto Star, assim como no americano New York Times e na rede britânica BBC. Segundo o relatório do Centro Palestino para os Direitos Humanos (PCHR) do dia 11/11, cinco civis palestinos, incluindo três crianças, foram mortos na Faixa de Gaza nas 72 horas anteriores, além de dois seguranças palestinos. Quatro das mortes ocorreram como resultado do exército militar israelense disparando contra jovens que jogavam futebol. Além disso, 52 civis ficaram feridos, dos quais seis mulheres e 12 crianças.

De acordo com o manifesto, artigos sobre essas baixas focaram no assassinato de guardas palestinos. Uma matéria da Associated Press, divulgada na CBC, não menciona que houve civis feridos e mortos. Outro artigo da AP relata que os foguetes de Gaza aumentam a pressão sobre o governo de Israel, mas não menciona ou mostra imagens de numerosas vítimas sangrando ou de cadáveres em Gaza. A mesma cobertura pôde ser observada em diversos veículos europeus.

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A maior parte das matérias focou nos foguetes disparados de Gaza e nenhum deles provocou mortes. Não foram mencionados, porém, os bombardeios sobre Gaza, que resultaram em diversas vítimas graves e fatais. “Não é necessário ser um especialista em mídia para entender que estamos, na melhor das hipóteses, recebendo uma cobertura distorcida e de má qualidade e, na pior, de manipulação propositadamente desonesta”, escreveram.

Cadeia de baixas civis

Além disso, as matérias que mencionam as vítimas palestinas em Gaza relatam consistentemente que as operações israelenses são em resposta ao lançamento de foguetes a partir de Gaza e à lesão de soldados israelenses. No entanto, a cronologia dos eventos da recente explosão de violência começou no dia 5/11, quando Ahmad al-Nabaheen, um inocente e aparentemente mentalmente incapaz homem de 20 anos, foi baleado quando passava perto da fronteira. Médicos tiveram que esperar seis horas até serem autorizados a buscá-lo e suspeita-se que isso possa ter causado sua morte. Depois, no dia 8/11, um menino de 13 anos que jogava bola em frente à sua casa foi morto pelas forças de ocupação israelenses (IOF), que chegavam em tanques e helicópteros à Gaza. Assim, o ferimento de quatro soldados israelenses na fronteira no dia 10/11 já era parte de uma cadeia de eventos que começou quando os civis de Gaza foram mortos – e não foi o evento que deu início ao conflito.

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Os signatários voltaram recentemente de uma visita à Faixa de Gaza e alguns estão mantendo contato, por meio de mídias sociais, com palestinos que moram no local. Por duas noites, estes foram impedidos de dormir pela movimentação contínua de drones, caças F16, e bombardeios indiscriminados sobre vários alvos na Faixa de Gaza. A intenção clara é de aterrorizar a população civil palestina – o que não é relatado na mídia e contrasta com a atenção mundial sobre cidadãos israelenses chocados e aterrorizados. “Preconceito e desonestidade com relação à opressão dos palestinos não é nada novo na mídia ocidental e tem sido amplamente documentado. Todavia, Israel continua seus crimes contra a humanidade com a anuência plena e apoio financeiro, militar e moral de nossos governos, os EUA, o Canadá e a União Europeia”, disparam.

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