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29 de maio de 2018, 10h34

Notas internacionais: Brasil entra na “lista maldita” da OIT por violação de direitos trabalhistas

Na coluna Notas Internacionais, desta terça-feira (28), Ana Prestes destaca o valor do preço do barril do petróleo, que é o mais alto desde 2014. Traz ainda a política do governo Trump que tem autorizado que agentes de segurança nas fronteiras separem filhos de imigrantes de seus pais

– Brasil vai entrar para “lista maldita” da OIT. Começa hoje (28) em Genebra reunião anual da Organização Internacional do Trabalho. A organização avaliará se o Brasil será incluído em uma lista de até 24 casos considerados como de violação às convenções trabalhistas. Desde a Reforma Trabalhista aprovada e sancionada no ano passado (2017) no Brasil, o país tem sido avaliado pela Comissão de Aplicação de Normas da OIT e chegou a ser incluído em uma lista mais ampla e preliminar que cita casos de violações aos direitos trabalhistas.

– Valor do barril de petróleo a US$ 80,00 no mercado internacional é o mais alto desde 2014. Especialistas tentam explicar alta e descortinar as tendências. Nos últimos dois anos houve uma queda da oferta de petróleo de cerca de 1,8 milhão de barris por dia. A Arábia Saudita é vista como uma das que mais reduziu produção com intenção de elevar os preços. Sanções dos EUA contra Irã e Venezuela também são vistos como motivadores.

– Greve dos caminhoneiros segue sendo o assunto brasileiro mais comentado no exterior. No dia de ontem (28) quando a greve completou seu 8º dia, o assunto foi destaque nas americanas CNN, NPR, Washington Post, na britânica BBC, no argentino Clarin, na alemã Tagesschau e outras mais.

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– Trump se reuniu nesta segunda (28) com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe. A cúpula do norte-americano com Kim Jong-un esteve na pauta. O anúncio oficial do encontro diz que ambos concordaram em trabalhar pelo completo desmantelamento do programa de armas nucleares e mísseis balísticos da RPDC (Coreia do Norte).

– Nesta segunda (28), uma delegação norte-americana esteve em território norte-coreano para tratar de detalhes da cúpula entre os dois países.

– Para evitar duplicidade de função o atual presidente do Paraguai, Horácio Cartes, que foi eleito senador nas últimas eleições renunciou ao seu cargo na presidência. Deve assumir como senador no próximo 1º de julho. Carta foi recebida pelo atual presidente do Senado que é Fernando Lugo. Cartes foi promotor do golpe parlamentar que derrubou Lugo da presidência. O país agora será presidido por Alicia Pucheta, até então vice-presidente. É a primeira vez na história do Paraguai que o país será presidido por uma mulher. Ela fica até 15 de agosto quando assume Mario Abdo Benítez, eleito em abril deste ano.

– Comitê do Congresso norte americano acusa o governo Trump de ser “incapaz de determinar com certeza a localização de 1475 menores” filhos de migrantes separados de seus pais. A política de “tolerância zero” com os imigrantes tem autorizado que agentes de segurança nas fronteiras separem filhos de seus pais, caso estes tenham entrado ilegalmente no país. Governo alega colocar as crianças em lares temporários. Há uma campanha no twitter: “WhereAreTheChildren”. Não existe nenhuma legislação no país que determine esta política.

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– No contexto de suas negociações com o FMI, a Argentina aumentou nesta segunda (28) de 8% para 15% o imposto sobre a exportação de biocombustíveis a partir de julho. Objetivo é reduzir déficit fiscal.

– União Europeia decidiu nesta segunda (28) estender até 1º de junho de 2019 as sanções contra a Síria. Argumenta que a “repressão contra a população civil continua”. As sanções vão desde congelamento de bens à proibição de vistos. Atingem de militares a cientistas.

– UE decidiu também ontem (28) por novas sanções contra autoridades da Venezuela. Segundo eles, as eleições venezuelanas “não cumpriram as normas internacionais. Não foram eleições livres, justas nem transparentes”.

– Presidente italiano Sergio Mattarella indicou nesta segunda (28) o ex-diretor do FMI, Carlo Cottarelli, como primeiro-ministro interino com a função de formar um novo governo para organizar novas eleições até início de 2019. A Itália vive um impasse desde as eleições de março. Sua indicação terá que ser aprovada pelo parlamento. Caso não seja aprovada a nova indicação, o presidente deve convocar eleições para o segundo semestre do ano corrente.

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– Na Nicarágua a mesa de diálogos pela paz foi reduzida para uma comissão com três representantes de cada lado. No dia de ontem (28) a comissão chegou a alguns poucos acordos que envolvem cumprir as recomendações do relatório da CIDH e fazer chamados pela paz e em especial o fim das atuais agressões aos meios de comunicação. Uma emissora de rádio, a Radio Ya, foi incendiada no dia de ontem (28).

– Palestinos promovem um protesto contra Israel mobilizando uma série de barcos que deixam hoje (29) o porto de Gaza. Ontem (28) um palestino morreu em um bombardeio no norte da Faixa de Gaza.

– A Frente Polisário por Libertação Nacional que luta pela independência da República Árabe Saarauí Democrática (RASD) do colonizador Marrocos completou 45 anos na semana passada. Para marcar o aniversário foram destruídas mais de 2500 minas terrestres, como parte de um programa iniciado em 2006. Por sua vez, o Marrocos mantém um muro de 2700 quilômetros que separa o povo saarauí de seu território e mantém ali milhões de minas ativas, no que é considerado hoje o maior campo minado do mundo.