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07 de maio de 2017, 12h39

7 questões centrais para entender as eleições na França

Segundo turno das eleições presidenciais acontece neste domingo (7); franceses vão escolher Marine Le Pen ou Emmanuel Macron

Por Vinicius Sartorato*, colaborador da Rede Fórum de Jornalismo

1 – A baixa participação de eleitores pode ajudar Marine Le Pen?

Sim. O voto facultativo, a fidelidade dos eleitores da Frente Nacional, somadas a desconfiança sobre o candidato independente é visto como um fator complicador para o favoritismo de Emmanuel Macron.

O 1° turno teve uma participação considerada elevada – de acordo com a história de eleições no país, 47 milhões de pessoas participaram da jornada eleitoral de domingo na França. Cerca de 69,5% da população eleitoral.

2 – Podemos confiar nos institutos de pesquisa?

Conforme as projeções indicavam sobre os resultados do 1° turno, essa foi a eleição francesa mais disputada desde a 2ª Guerra Mundial. Apesar da cautela geral, em um pleito que parece ter “salvado a vida” dos institutos de pesquisas eleitorais, as projeções foram confirmadas.

Os seis primeiros colocados – dentre onze competidores foram: Emmanuel Macron (24,01%); Marine Le Pen (21,3%); François Fillon (20,01%); Jean-Luc Mélenchon (19,58%); Benoît Hamon (6,36%) e Nicolas Dupont-Aignan (4,7%).

Entretanto, vale ressaltar que as projeções podem ser questionadas na prática considerando fatores, como a participação eleitoral e o apoio de candidatos derrotados no 1° turno.

3 – O que disse o resultado do 1° turno? Qual é o perfil dos eleitores de Le Pen e Macron?

Resultado que apresentou um perfil interessante desde a perspectiva geográfica, econômica, religiosa e política.

Le Pen saiu-se vencedora no maior número de comunas (cidades) 18.845 e de departamentos (estados), 47, com destaque para o norte, nordeste e sudeste do país.

Macron por sua vez, venceu em 7222 cidades, sendo mais forte no oeste e no sudoeste, terminando como vencedor em 42 departamentos (estados). Neste aspecto geográfico, fica clara a força da candidatura de Le Pen em cidades pequenas e áreas rurais, o oposto de Macron.

Segundo pesquisas de boca-de-urna, Le Pen foi a preferida entre trabalhadores – à frente dos dois candidatos da esquerda, bem como entre pessoas de menor escolaridade.

Le Pen também foi a preferida entre as duas faixas etárias que constituem os adultos (35-49 e 50-59), neste aspecto Mélenchon foi o preferido dos jovens (abaixo de 35 anos) e Fillon entre os mais velhos (acima de 60 anos).

Apesar da França estar cada dia menos religiosa, o voto religioso também teve sua marca. Fillon destacou-se entre católicos praticantes, Le Pen entre católicos não-praticantes, Macron entre protestantes e Mélenchon entre muçulmanos.

Esses são alguns aspectos essenciais para entendermos o momento. A partir desses resultados, narrativas são confirmadas ou repelidas.

4 – Quais são as narrativas e temas que marcam a disputa do 2° turno?

Le Pen se diz a candidata do povo. A candidata procura classificar seu adversário como o candidato da elite.

A candidatura de ambos procura ressaltar que são o contraponto ao velho sistema partidário, bem como são o resultado da falência da hegemonia bipartidária que estabeleceu um revezamento de décadas no poder de republicanos e socialistas.

O tema principal da campanha é a economia e o trabalho. No entanto, outros temas também possuem peso, como a segurança, imigração, integração regional.

5 – A mídia tradicional e os políticos apoiam Macron?

Sim. Em geral, a repercussão da mídia e do mundo político tem apresentado uma abordagem favorável a Macron, focando principalmente na rejeição da candidatura de extrema-direita.

Macron conta com o apoio da maior parte do meio político francês e internacional. Dentre seus apoiadores estão seus adversários de 1° turno, Fillon e Hamon, bem como o atual presidente, Hollande. Estão líderes internacionais, como Obama, Merkel e quadros importantes da União Europeia.

Por outro lado, Le Pen luta contra o isolamento, contando apenas com o apoio de homólogos de extrema-direita e os internacionais, Donald Trump, Matteo Salvini, Geert Wilders e de forma tímida conservadores ingleses e russos – aliados de Theresa May e Vladimir Putin.

6 – Apesar do discurso antissistêmico, ambos candidatos estarão “reféns” dos grandes partidos no parlamento?

Aparentemente, tanto Macron quanto Le Pen terão dificuldades para negociar com o parlamento. Ambos candidatos não possuem uma base parlamentar consolidada, fato que poderia complicar iniciativas de mudanças mais profundas.

Em um primeiro momento, Macron teria menor resistência parlamentar, dado o apoio dos grandes partidos a sua candidatura no 2° turno.

De qualquer maneira, a força da(do) futura(o) presidente será testada nas próximas eleições parlamentares.

7 – As pesquisas indicam que Macron vencerá o 2° turno atingindo cerca de 60% dos votos? Como estaria configurada essa votação?

Sim, em geral as pesquisas preveem uma vitória de Macron nesses patamares.

Em termos de linhas políticas, o candidato conseguiu o apoio da centro-direita, centro-esquerda e tem uma capacidade maior de conquistar os apoiadores do candidato Jean-Lic Mélenchon (à esquerda), apesar de 60% se declararem pró-abstenção.

Le Pen, por sua vez, conseguiu o apoio do candidato de direita, derrotado no 1° turno, Nicolas Dupont-Aignan – indicado como futuro 1° Ministro da candidata.

Com maior dificuldade de ampliação de sua base de apoio entre setores moderados – devido às suas teses mais extremistas, Le Pen também buscou votos da extrema-esquerda, aprofundando suas teses nacionalistas e eurocéticas.

*Vinicius Sartorato é sociólogo e mestre em Políticas de Trabalho e Globalização pela Universidade de Kassel (Alemanha).


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