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17 de julho de 2016, 16h25

Turquia amplia a repressão e prende 6 mil pessoas após tentativa de golpe

Ministro da Justiça avisou que haverá “mais detenções”; governo procura membros do movimento social-religioso de Fethullah Gülen, que nega envolvimento com golpe

Por Opera Mundi

Cerca de 6.000 pessoas foram detidas após a tentativa de golpe de Estado militar da última sexta-feira (15/07), afirmou neste domingo (17/07) o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, que alertou que “haverá mais detenções”. Segundo Bozdag, está sendo feita uma “limpeza” contra o Hizmet, movimento social-religioso que o governo turco classifica como “organização terrorista de Fethullah Gülen”.

“O homem número um nisto [o golpe] é Fethullah Gülen. Depois disto, manter Gülen nos Estados Unidos não serve para a amizade entre Turquia e Estados Unidos”, disse Bozdag.

Gülen, que nega qualquer tipo de envolvimento com a tentativa de golpe, vive há anos em um exílio autoimposto nos EUA e Ancara exige sua extradição, uma reivindicação que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, repetiu ontem mais uma vez. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu que a Turquia enviasse evidências de que Gülen esteja envolvido na tentativa de golpe. Kerry, de acordo com a emissora britânica BBC, está em Luxemburgo e afirmou não ter recebido nenhum pedido de extradição vindo de Ancara.

Até sábado, as autoridades haviam informado sobre 2.839 soldados detidos, entre eles dezenas de generais, enquanto mais de 2.700 juízes foram destituídos. Segundo Bozdag, o objetivo é “libertar o judiciário turco”.

Erdogan e Gülen já foram aliados, mas essa aliança acabou em 2013, após denúncias de corrupção que atingiram familiares do presidente e altos membros do gabinete. A partir deste momento, o mandatário passou a acusar Gülen de, com o Hizmet, implantar um “Estado paralelo” na Turquia, com o objetivo de derrubá-lo.

Oficialmente, o Hizmet não possui uma cadeia de comando: ele é formado, segundo os próprios simpatizantes, de pessoas que se sentem próximas aos ideais religiosos e humanistas de Gülen e passam a praticá-los.

Erdogan afirma que pessoas que se identificam com o Hizmet, que estão em todos os locais da vida pública turca – inclusive nas Forças Armadas, no Judiciário e em outras atividades – são, na verdade, infiltrados que conspiram para pôr fim a seu governo.

Em maio deste ano, uma lei que classifica o Hizmet como grupo terrorista foi aprovada no Parlamento do país.


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