domingo, 20 set 2020
Publicidade

“A floresta começou a pegar fogo durante a campanha presidencial, com o discurso antifloresta”, avalia deputado

O avanço de queimadas na região amazônica, a política ambiental do governo Bolsonaro e a chamada de emergência do presidente francês, Emanuel Macron, para uma reunião de emergência do G7 foram alvo de críticas de deputados em Brasília em torno da crise ambiental. O tom das falas é majoritariamente de alerta para os efeitos da degradação.

Integrante da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado Airton Faleiro (PT-PA) ressalta que o grupo e a Comissão de Meio Ambiente da Câmara receberam nessa quarta-feira (21) um abaixo-assinado com mais de 1 milhão brasileiros pedindo providências do Congresso para garantir a preservação da Amazônia.

Faleiro destacou que os agricultores que aderirem à política de degradação poderão ser prejudicados no cenário internacional.

“Essa é uma canoa furada, que vai levar o Brasil a perder contratos no exterior. Somos defensores de uma política equilibrada do ponto de vista social e ambiental”, disse.

O temor de um eventual boicote internacional e o impacto da nuvem de fumaça resultante das queimadas levaram o líder do Podemos, deputado José Nelto (Pode-GO), a sugerir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as queimadas na região amazônica.

Investimentos na Amazônia

Em outra frente o deputado Sidney Leite (PSD-AM) cobrou o desenvolvimento de uma política que invista na Amazônia, com incentivo à tecnologia para que a agricultura não utilize queimadas.

Para ele, não basta pensar a fauna e a flora, mas também as pessoas que moram na região e cobram meios de sustento, regularização fundiária, entre outros. “Não somos a favor do desmatamento ilegal, mas não haverá desenvolvimento sustentável sem desenvolvimento econômico”, disse Leite.

Fiscalização

O deputado Marcon (PT-RS) cobrou a reestruturação dos institutos que fiscalizam as queimadas e os desmatamentos que, segundo ele, aumentaram 82% neste ano. Já o deputado Professor Israel Batista (PV-DF) criticou as declarações de Jair Bolsonaro, que acusou organizações não governamentais internacionais de provocarem incêndios na Amazônia.

“A floresta começou a pegar fogo durante a campanha presidencial, com o discurso antifloresta, anti-meio ambiente, anti-Ibama, anti-ONGs. É esse discurso que autoriza, moralmente, as pessoas a cometerem crimes”, afirmou.

Quem também adotou tom crítico contra a política ambiental de Bolsonaro foi o deputado Alexandre Frota (SP). Ele foi expulso do PSL e agora está filiado ao PSDB. Em vários pronunciamentos, Frota criticou as declarações do presidente que negaram o desmatamento. Ele também condenou a sugestão sobre usar o banheiro em dias alternados para salvar o meio ambiente.

Causas do desmatamento

Nessa quinta-feira em entrevista ao programa Fórum 21, o deputado Nilto Tatto, que também é Secretário de Meio Ambiente do PT e integrante da comissão de meio ambiente da Câmara, apontou as principais causas do desmatamento na Amazônia, que estão a criação de gado; a monocultura e a especulação fundiária, não necessariamente nesta ordem. Nas três hipóteses não há geração de emprego (mecanização das lavouras) ou renda, apenas aumento na concentração de capital e de terras.

Veja abaixo a entrevista completa do programa Fórum 21

Com informações da Agência Câmara

 

 

George Marques
George Marques
Jornalista e Relações Públicas pela Faculdade JK de Brasília. É também especialista em comunicação pública e comunicação política no legislativo, tendo já sido indicado ao Prêmio Comunique-se de Jornalismo Político. Já trabalhou na cobertura de política para o site The Intercept Brasil e Metrópoles. É colunista da Fórum.