A Jamaica está ficando sem maconha

Tempestades, secas e a Covid-19 são as responsáveis pela maior crise canábica da história do país caribenho

Chuvas fortes seguidas de estiagens prolongadas, aumento do consumo local e uma queda no número de produtores de maconha estão causando uma escassez no mercado de cannabis na Jamaica que é liberada para uso religioso e controlada no uso recreativo e comercial.

Triston Thompson, um produtor e head-hunter de oportunidades canábicas, disse à Associated Press que se trata de uma “vergonha cultural”. Thompson é o gerente da Tacaya, consultoria para a indústria da maconha que foi recentemente legalizada no país caribenho.

De acordo com a reportagem da AP, fortes chuvas durante a temporada de furacões do ano passado atingiram de maneira drástica os campos onde ficam as plantações de maconha e, posteriormente, estes mesmos lugares foram queimados pela seca que seguiu, o que causou prejuízo de milhares de dólares aos produtores locais.

Daneyel Borza, um agricultor do sudoeste da Jamaica, declarou as tempestades seguidas da seca “destruiu tudo”. Bozra é um produtor da vila histórica chamada Accompong, que foi fundada por escravos fugidos do século 18 conhecidos como Maroons.

Além das tempestades e da seca, veio a pandemia com as suas restrições de circulação somado ao toque de recolher imposto no país: depois da 18h ninguém pode se locomover.

O horário do toque de recolher afetou muito os agricultores, pois, a maioria vai e volta a pé do trabalho, o que leva muito tempo e a maioria não conseguiria cumprir os horários de restrições da pandemia.

Kenrick Wallace, que também trabalha na região de Accompong, estima que o prejuízo dele e de outros produtores esteja na casa de US$ 18 mil.

Todavia, com o afrouxamento do lockdown e com a liberação do turismo, o consumo retomou a patamares pré-pandemia, porém, as plantações ainda não se recuperaram.

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“Nunca tivemos tantas perdas. É algo tão ridículo que a maconha esteja escassa na Jamaica”, lamenta Thompson.
Os produtores entrevistados pela AP consideram essa a pior crise de canabis na história do país.

Os turistas também perceberam a escassez de maconha, que tornou o produto mais caro.

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A legislação sobre a cannabis na Jamaica

Ainda que historicamente associada a maconha, ao reggae e a religião Rastafari, o governo jamaicano regulamentou a venda da maconha medicinal, descriminalizou o porte de pequenas quantias e regulamentou a indústria apenas em 2015.

De acordo com a atual legislação da Jamaica, quem for apanhado com 56 gramas de maconha ou menos devem pagar uma multa, mas não serão fichados ou processados.

Além disso, a lei sobre a maconha jamaicana permite que os cidadãos cultivem até cinco pés de maconha. A única exceção da lei para os Rastafáris, que estão legalmente autorizados a fumar maconha para fins religiosos.

Com informações da AP.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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