A reportagem da Fórum sobre o Pilha está irretocável, diz Érico Grassi, seu irmão

Rodrigo Pilha, preso no dia 18 de março por estender uma faixa chamando o presidente Jair Bolsonaro de genocida, foi espancado e torturado na prisão e tem dormido no chão desde quando foi privado de sua liberdade

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, realizada nesta sexta-feira (30) o irmão de Rodrigo Pilha, Erico Grassi comentou sobre a prisão de seu irmão e afirmou que as “vias técnicas e jurídicas não estão dando em absolutamente nada” e que ele “não teve nenhum benefício concedido”

“A família sabia dessas violações já há muito tempo. Aqueles meus desabamentos nas lives e entrevistas não era só pela situação da detenção dele, ele estava tendo os seus direitos violados. Que bom que já surtiu algum efeito institucional. Indo pelas vias técnicas e jurídicas a gente não está avançando em absolutamente nada. O Rodrigo não teve nenhum benefício concedido pra ele até agora”.

Questionado sobre a reportagem veiculada pela Fórum, que revela a tortura que Pilha sofreu, Grassi afirmou que ela está “irretocável”.

Érico Grasse reforçou que ele só está podendo ir trabalhar, porque a Justiça não pode lhe negar esse direto. “’Ah, ele está podendo ir trabalhar’, sim ele está podendo ir trabalhar por uma questão de ofício. Eles não podem negar quando um caso de prisão em regime semiaberto, e você tem um emprego fixo, eles não podem negar que você se desloque para o trabalho. Mas esse foi o único benefício que foi dado para ele”, critica.

O irmão de Pilha também comentou sobre o fato de o MP ter sinalizado para uma prisão domiciliar e um juiz ter revogado a decisão. “Chegamos ao cúmulo de ver o Ministério Público, que é o órgão acusador, recomendar uma progressão, para que ele fosse para uma (prisão) domiciliável e você vê juiz negando. Esse caso é icônico para mim, não se isso é comum acontecer, eu nunca tinha visto isso”, diz Grassi.

Érico Grassi também sobre a apreensão que vive todos os dias sobre a prisão de seu irmão. “Enquanto ele não chega no trabalho e não me manda uma mensagem, eu não sossego. Porque é isso, o Pilha é um refém do Estado”, revela.

Também foi revelado que Rodrigo Pilha está recebendo apoio e solidariedade de vários parlamentares e movimentos sociais. “Desde o início sempre foram muito solidários, sempre com contato com a família. A Érika (Kokay, deputada federal do PT, pelo Distrito Federal) está por trás dessa questão da Comissão de Direitos Humanos, a Érika fala comigo desde o primeiro dia, Glauber (Braga, deputado Federal do PSOL/RJ), Paulo Teixeira (PT-SP), Paulo Pimenta (PT-RS)”, disse.

Por fim, Erico Grassi comentou refletiu sobre o que acontece com manifestantes que não possuem apoio algum. “Eu fico imaginado um manifestante que não tem esse apoio. Se o Rodrigo, com todo esse apoio que a gente tem, a gente está sofrendo essa série de arbitrariedades, imagina quem não tem esse apoio”, diz Grassi.

Pilha foi espancado e torturado na prisão

Rodrigo Pilha, preso no dia 18 de março por estender uma faixa chamando o presidente Jair Bolsonaro de genocida, foi espancado e torturado na prisão e tem dormido no chão desde quando foi privado de sua liberdade. Ou seja, há exatos 41 dias.

Durante os últimos dias o blogue conversou com diversas pessoas que têm proximidade com Pilha que não pode dar entrevistas e confirmou a informação que já havia sido publicada sem maiores detalhes num tuíte por Guga Noblat.

Enquanto esteve na Polícia Federal prestando depoimento, Pilha foi tratado de forma respeitosa, mas ao chegar no Centro de Detenção Provisória II, área conhecida como Covidão, em Brasília, alguns agentes já o esperavam perguntando quem era o petista.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).