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14 de maio de 2016, 18h57

Advogada e ativistas são agredidas na Câmara de Salvador em sessão “antiaborto”

De acordo com vereador do PSOL e com denúncias dos presentes, a advogada Damiane Nachtigal e feministas que protestavam contra a Sessão Especial do “dia Municipal de Conscientização Antiaborto” foram agredidas física e verbalmente por parlamentares que apoiam a criação da data. “Assassinas” e “mal amadas” estariam entre os xingamentos

Por Redação

O clima tenso fez com que fosse encerrada a sessão especial da Câmara dos Vereadores de Salvador (BA), nesta sexta-feira (13), sobre o “dia Municipal de Conscientização Antiaborto”. Dezenas de mulheres e ativistas feministas compareceram à sessão para reivindicar o direito ao próprio corpo e protestar contra a criação do dia que, segundo elas, tende não apenas elevar o nível de perversidade da forma como a questão do aborto é tratada em nossa sociedade, como aumentar o número de mulheres que morrem por maus tratos relacionados à questão.

Feministas relataram agressão física e verbal dos parlamentares. (Foto: Reprodução/Facebook Hilton Coelho)

Feministas relataram agressão física e verbal dos parlamentares. (Foto: Reprodução/Facebook Hilton Coelho)

Diante dos protestos, parlamentares que apoiam a lei da criação da data, de autoria da vereadora Cátia Rodrigues (PHS), teriam começado a xingar as feministas e agredi-las fisicamente.

“Foi um momento extremamente tenso, pois as palavras de ordem do público que estava na sessão chegaram a definir as mulheres como assassinas, assim como também as mulheres que já praticaram o aborto”, afirmou o vereador Hilton Coelho (PSOL), que esteve presente na sessão.

De acordo com o psolista, não houve qualquer postura agressiva por parte das ativistas que sofreram agressões.

Uma das agredidas foi a advogada Damiane Nachtigal.

“As meninas chegaram e os vereadores começaram a chamar as garotas de mal amadas. Homens enlouquecidos. Aí nisso uma menina se levantou e falou do evangelho e vi um vereador que chegou e deu voz de prisão a ela e disse que não estava ali para ser ofendido. Eu, como advogada, cheguei para ele e disse: ‘como é seu nome? Estou como advogada, vamos conversar’. Nisso, eu senti uma coisa bem forte no meu pescoço e eu saindo da frente dele. Fiquei nervosa, com as pernas bambas”, afirmou Nachtigal ao portal Bahia Notícias.

A advogada, assim como vereadores que presenciaram as agressões, pretendem solicitar à Ordem dos Advogados do Brasil da Bahia (OAB-BA) um posicionamento em relação ao episódio.


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