quinta-feira, 29 out 2020
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Advogados vão à Justiça para Damares explicar nomeação de Sara Giromini

Coletivo quer que ministério prove critérios técnicos para contratação da ativista de extrema direita para cargo de confiança

O Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADHu) entrou com ação na Justiça Federal nesta quinta-feira (24) para que obrigar a ministra Damares Alves a explicar a nomeação e atuação da ativista de extrema direita Sara Giromini na pasta que ela comanda.

Sara atuou no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos de abril a dezembro do ano passado. Ela ocupava a chefia da Coordenação Geral de Atenção Integral à Gestante e à Maternidade, um cargo de confiança. Seu salário era R$ 5.685.

Na ação, o coletivo também pede explicações ao secretário-executivo da pasta, Sergio Luiz Carazza. Os advogados querem que sejam apresentadas provas sobre os critérios técnicos utilizados para a nomeação da ativista, conhecida como Sara Winter.

O grupo escreve na petição que, enquanto ocupava o cargo, Sara saiu do país para agendas pessoas na Argentina e Uruguai. E que, nesse período, ela teria deixando o posto vago sem justificativa.

O coletivo argumenta que há supostos indícios de malversação de recursos públicos. E pede provas sobre as providências tomadas por Damares Alves e Carazza, responsáveis pela autorização e supervisão das atividades de Sara enquanto era servidora da pasta.

Polêmicas e prisão

Sara manteve um acampamento em Brasília a que denominava de “300 do Brasil”, movimento que se dizia defensor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O grupo fez um ato em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF) com uso de tochas e máscaras em que simulava ataques ao prédio com fogos de artifício.

A ativista foi presa em maio no âmbito de um inquérito que investiga ataques à Corte. Depois, em junho, ela foi solta, mas mediante uso de tornozeleira eletrônica.

No mês passado, ela se envolveu numa polêmica após publicar em redes sociais o nome da menina de 10 anos que, estuprada pelo tio, havia engravidado e queria interromper a gestação. Manifestantes antiaborto se reuniram na frente do hospital, no Recife (PE). Damares a defendeu publicamente, dizendo que não tinha sido Sara a primeira a vazar o nome da menina.

Com informações de Metrópoles e Veja.com

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.