terça-feira, 27 out 2020
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Ao contrário do Brasil, em SP vacina anti-Covid será obrigatória

Doria se contrapõe a Bolsonaro, que afirmou que ninguém será obrigado a tomar a dose quando ela estiver disponível

Em mais um lance do antagonismo entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB-SP) sobre a pandemia do novo coronavírus, o tucano afirmou nesta sexta-feira (16) que, em São Paulo, a vacina contra a Covid-19 será obrigatória, quando ela estiver disponível.

“Em São Paulo, a vacina será obrigatória, exceto se o cidadão tiver alguma orientação médica, com um atestado, que não pode tomar a vacina”, afirmou o governador em entrevista coletiva. Segundo o tucano, serão tomadas medidas legais caso haja “contrariedade” em relação a essa determinação.

No dia 31 de agosto, Bolsonaro deu uma declaração no sentido exatamente oposto. Falando a apoiadores, ele sinalizou que a vacinação contra o novo coronavírus não será obrigatória no Brasil. “Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”, afirmou o ex-capitão ao ser questionado por uma apoiadora.

lei nº 6.259, do Programa Nacional de Imunizações, prevê que o Ministério da Saúde pode instituir campanhas de vacinação obrigatória, no entanto, as campanhas geralmente são voltadas para crianças e adolescentes e não obrigam adultos a se vacinarem.

E, em São Paulo, segundo Doria, os 45 milhões de habitantes receberão a dose. “Não é possível, numa pandemia, vacinar uns e outros não. Enquanto não tivermos pessoas vacinadas em larga escala continuaremos a ter a presença do vírus e a contaminação”, afirmou.

CoronaVac

O governo paulista está apoiando, por meio do Instituto Butantan, o desenvolvimento de uma vacina em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O produto, chamado CoronaVac, vai passar pelos últimos testes neste final de semana.

O coordenador-executivo do comitê paulista para o coronavírus, João Gabbardo, disse que, até o momento, o produto não provocou efeitos colaterais graves, o que mostra sua segurança. Quanto à eficácia, disse que, até a fase 2, ela era de 98%. Mas só ao final dos testes é que vai ser saber qual sua efetividade na prevenção ao Sars-Cov-2.

O imunizante está na fase 3 de testes, com voluntários, última antes da liberação. Se tudo der certo, a previsão de Doria é iniciar a vacinação no estado em 15 de dezembro.

Reunião no ministério

Doria disse que, na próxima quarta-feira (21), terá uma reunião no Ministério da Saúde para tratar da adoção da CoronaVac pelo PNI.

Nesta quinta-feira (15), os secretários estaduais de saúde enviaram carta ao ministério pedindo que todas as vacinas que se provarem eficazes e seguras contra o coronavírus sejam adotadas pelo programa. No mesmo dia, o secretário-executivo da pasta, Elcio Franco, disse que nenhuma dose que se mostrar viável  – segura, eficaz, possível de produção em larga escala e a preço de mercado – será descartada.

No entanto, ele apresentou apenas o cronograma da vacina desenvolvida pela Universidade Oxford com o laboratório AstraZeneca. Essa dose é a “favorita” de Bolsonaro. Ela deverá ser produzida no Brasil pela Fiocruz.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.