quinta-feira, 24 set 2020
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Apesar da pressão, Micheletti inicia campanha para eleições gerais

Os organismos internacionais pressionaram, mas não teve jeito: o governo provisório de Roberto Micheletti liberou as campanhas publicitárias para as eleições gerais em Honduras, previstas para o próximo dia 29 de novembro. A Frente Nacional de Resistência ao Golpe de Estado e a Organização dos Estados Americanos (OEA) garantiram que vão manter seu repúdio à convocação das eleições e suas manifestações em favor do presidente Manuel Zelaya, deposto e expulso do país em 28 de junho. Em protesto, o setor público poderá paralisar nos próximos dias 3 e 4, quinta e sexta-feira, enquanto no domingo, 6, uma assembleia vai reunir os representantes nacionais.

A Frente e a OEA consideraram ilegítimas as eleições gerais convocadas para o próximo dia 29 de novembro e repudiaram as campanhas publicitárias iniciadas ontem por seis candidatos à presidência de Honduras. Para todos os cargos, serão 15 mil candidatos de cinco partidos, disputando quase três mil vagas.

Ontem, manifestantes pró-Zelaya realizaram manifestações em um mercado de Tegucigalpa, capital do país, para exigir o seu retorno à presidência do país. O coordenador da Frente, Juan Barahona, informou que a associação de entidades anti-golpistas vai manter os protestos pelas ruas do país. O dirigente afirmou que o grupo só aceitará uma resolução de conflitos que restitua Zelaya ao poder e convoque uma assembleia constituinte.

Na tarde da próxima quarta (2), as três principais centrais sindicais do país vão se reunir para analisar a possibilidade de uma nova paralisação geral do setor público nas próximas quinta e sexta-feira.

O secretário-geral da Federação Unitária de Trabalhadores, Israel Salinas, informou que representantes de toda a nação deverão realizar uma assembleia no próximo domingo (6), na capital Tegucigalpa. O objetivo é fortalecer a Frente no nível das regiões, dos departamentos, municípios e das comunidades, para exigir o "retorno à ordem constitucional".

Micheletti justificou o início das campanhas dizendo que enviou uma proposta para o mediador do conflito político hondurenho, o presidente da Costa Rica, Óscar Arias. O mandatário provisório sugeria a formação de uma administração interina que desse respaldo às eleições.

Segundo a Rádio América, a proposta de reativação do diálogo entre os governos provisório e deposto – em San José, capital costarriquenha – foi enviada na última sexta-feira a Arias. O texto sugere a renúncia de Micheletti e Zelaya e a eleição de um terceiro presidente.

Os grupos mais conservadores do país justificam que as eleições gerais são legítimas porque os candidatos foram eleitos há mais de um ano e também por terem sido convocadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ainda durante o mandato de Zelaya.

Os seis candidatos à presidência são Elvin Santos (Partido Liberal), Porfirio "Pepe" Lobo (Partido Nacional), Felícito Ávila (Democracia Cristiana), Bernard Martínez (Partido Innovación y Unidad), César Ham Peña (Unificación Democrática) e Carlos H. Reyes (independiente).

São 2.897 cargos para o período de 2010-2014, incluindo o presidente, 128 deputados do Congresso Nacional, 20 representantes do Parlamento Centro-americano e 298 prefeitos. O censo eleitoral prevê 4,4 milhões de votantes nas eleições de novembro, dentre os quais 750 mil jovens de 18 anos votarão pela primeira vez.

Com informações da Adital.

Redação
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