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30 de julho de 2019, 16h42

Apontado com cúmplice de suposto hacker relata violência psicológica da PF

Em audiência, Gustavo Henrique Elias Santos, o DJ apontado como cúmplice do suposto hacker de Araraquara que teria invadido conversas virtuais de autoridades, denunciou maus-tratos de agentes da Polícia Federal

DJ Gustavo Henrique Elias, preso como cúmplice do hacker de Araraquara (Reprodução/Youtube)

Em audiência de custódia realizada na tarde desta terça-feira (30) na 10ª Vara da Justiça Federal do DF, em Brasília, um dos suspeitos apontados com cúmplice do esquema de invasão de conversas virtuais de autoridades, Gustavo Henrique Elias Santos relatou ter sofrido violência psicológica por parte de agentes da Polícia Federal.

Amigo de Walter Delgatti Neto, que confessou ter, de fato, hackeado e vazado mensagens de procuradores e autoridades como do ministro Sérgio Moro, Santos foi preso na semana passada junto com o suposto hacker e outros dois suspeitos, entre eles sua esposa Suelen Priscila de Oliveira.

“Fisicamente, me trataram super bem, mas psicologicamente fui bem agredido verbalmente. Me chamara de bandido, hacker, e outras coisas”, disse Santos, que atuava como DJ na cidade de Araraquara (SP).

Além dos maus-tratos verbais, o suspeito informou que foi detido e conduzido à Brasília de algemas, e que elas só foram retiradas no início da audiência de custódia, o que contraria a súmula 11 do Supremo Tribunal Federal (STF). O dispositivo prevê o uso de algemas apenas em caso de resistência, risco de fugo ou perigo à integridade física.

Na audiência, o DJ informou ainda que foi impedido de contatar seu advogado. Suelen, a esposa de Alexandre, também denunciou violência psicológica de agentes da Polícia Federal. Ela teria sido alvo de piadas.

“Me trataram mal. Fizeram piadinha comigo. Eu nunca fiz nada para ninguém”, afirmou.

Abuso de autoridade

Diante dos relatos dos supeitos, a procuradora Márcia Zollinger, que conduziu a audiência de custódia, informou que  solicitará à 10ª Vara Federal o fornecimento de cópias da audiência de custódia para enviar o material à Superintendência da PF em Brasília e à Corregedoria da PF para investigação de eventual abuso de autoridade.

“Considerando os relatos dos presos, especialmente do Gustavo [Santos] e da Suelen de que teriam sofrido pressões psicológicas e os relatos dos quatro presos de que teriam sido algemados, o MPF solicita a cópia de todos os depoimentos da audiência de custódia para encaminhamento ao superintendente da Polícia Federal para apurar descumprimento da súmula 11 e se houve eventual abuso de autoridade”, afirmou Zollinger.

Os quatro suspeitos detidos na semana passada seguem presos.


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