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04 de setembro de 2019, 18h04

Após ataques a Bachelet, Bolsonaro desperta a ira de parlamentares no Brasil e no Chile

A fala de Bolsonaro foi uma resposta à crítica feita por Bachelet. Ela disse que o Brasil sofre uma "redução do espaço democrático", especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos

Foto: Reprodução

Depois de defender golpe no Chile e atacar o pai da alta comissária da ONU para direitos humanos e ex-presidente Michelle Bachelet, Jair Bolsonaro (PSL) voltou a despertar a ira de parlamentares dentro e fora do Brasil nesta quarta-feira (4).

Na Câmara dos Deputados, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA) manifestou sua indignação e solidariedade à Bachelet na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Casa.

“É muito grave quando o próprio Presidente da República se dirige a uma mandatária, de expressão internacional, de um organismo como a ONU, usando um tema extremamente grave para aquele país, mas que a todos nos toca, que é a tortura e a ditadura”, afirmou.

Sâmia Bonfim (PSOL-SP) aproveitou o espaço nas redes para mostrar seu constrangimento.

“Jair Bolsonaro já ofendeu a memória de muitas famílias de torturados e desaparecidos pela ditadura no Brasil. Agora, está internacionalizando seu ódio até para a família da ex-presidente chilena Bachelet. Além de mentiroso e incompetente, é um homem perverso”, disse.

Companheiro de partido, o também deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), declarou sua revolta ao comportamento do chefe de estado brasileiro.

“Mais uma vez Bolsonaro mostra sua baixeza moral ao exaltar assassinos, torturadores e ditadores. Após ser criticado pela comissária da ONU, Michelle Bachelet, o presidente atacou o pai da ex-presidente chilena, assassinado pela ditadura Pinochet”, disse.

Já a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que é preciso conter o atual presidente. “Brasil ñ pode ser governado por um repugnante. Por valores humanos essenciais é preciso expelir Bolsonaro. Solidariedade Bachelet #bachelet”.

Parlamento chileno reage

Integrantes do Parlamento chileno também não deixaram passar. A senadora eleita para a Região de Valparaíso, Isabel Allende Bussi, declarou no Twitter seu apoio às recentes críticas feitas pelo presidente francês.

”Quanta razão tinha Macron quando disse que o povo brasileiro não merece o Presidente que tem, porque é um miserável com suas declarações ao general Bachelet e ao defensor da ditadura de Pinochet que, além de graves violações dos direitos humanos, acabou enriquecendo”, escreveu.

Deputado eleito pela mesma região de Valparaíso, Marcelo Díz, definiu como “baixeza moral ”a declaração de Bolsonaro. “Esse é o tipo de personagem pelo qual alguns correm para tirar fotos”, lamentou.

Prefeito da cidade de Recoleta, na região metropolitana de Santiago, Daniel Jadue classificou “gravíssimas” as declarações de Bolsonaro e afirmou que elas “atentam contra a democracia”. O Prefeito pediu que o atual presidente chileno, Sebastián Piñera “condene as falas, que não são outra coisa senão apologia à violência política que tanto dano causou ao país”.

Depois de ironizar a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, o presidente brasileiro usou o Twitter para criar mais uma saia justa internacional, ligando o nome de Bachelet ao atual presidente Emmanuel Macron. “Michelle Bachelet, Comissária dos Direitos Humanos da ONU, seguindo a linha do Macron em se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares”, escreveu.

Esta tarde, em resposta ao presidente brasileiro, Piñera, representante da direita chilena, afirmou em vídeo que não “compartilha, em absoluto” com a opinião emitida por Jair Bolsonaro “em relação a um tema tão doloroso quanto à morte do pai de Michelle Bachelet” e que é “público e permanente” seu compromisso com a democracia, com a liberdade e com o respeito aos direitos humanos em todos os tempos, todos os lugares e em todas as circunstâncias”.


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