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07 de janeiro de 2020, 12h21

Após duas eleições, Sánchez reassume a Presidência da Espanha com coalizão mais progressista

Congresso validou novo mandato do líder socialista como 167 votos a favor (165 contra e 18 abstenções). Aliança com o Podemos e com movimentos nacionalistas regionais deve significar um governo com viés mais progressista, semelhante ao de Portugal.

Pedro Sanchez e Lula (Arquivo)

Foram preciso duas eleições gerais e oito meses de negociações para conformação de alianças, para que, finalmente, o Congresso espanhol pudesse oficializar a posse do socialista Pedro Sánchez como presidente da Espanha pelos próximos quatro anos.

Na votação desta terça-feira (7), o líder do PSOE (Partido Socialista Operário da Espanha) fez valer a aliança feita com o Unidas Podemos (partido nascido do Movimento dos Indignados, e que está ideologicamente à esquerda do PSOE), o Más País (dissidência do Podemos), e com representantes eleitos de diversos movimentos nacionalistas regionais – da Catalunha (ERC), País Basco (PNV), Valência (Compromís), Galícia (BNG), Ilhas Canárias (Coalición Canaria) e Teruel (Teruel Existe). A eleição se deu por maioria simples, com 167 votos a favor, 165 votos contra, além de 18 abstenções.

A oficialização de Sánchez, que inicia seu segundo mandato – o primeiro foi logo após a queda do conservador Mariano Rajoy, devido a um escândalo de corrupção –, acontece depois de duas eleições: em 28 de abril o PSOE venceu com ampla maioria sobre os demais partidos, mas não conseguiu as vagas suficientes no parlamento para formar uma maioria somente com os seus congressistas, mas tampouco aceitou formar uma coalizão com outras forças de esquerda, como o Unidas Podemos.

Após seis meses de impasse, a Espanha teve que realizar outra eleição, em 16 de novembro, e na qual os socialistas venceram novamente, mas com vantagem bem menor. A queda no apoio ao partido e o crescimento do partido neofascista Vox – formado por nostálgicos da ditadura franquista, e que foi o principal beneficiado com a segunda votação – levou Sánchez a desistir do projeto puro sangue e aceitar finalmente a aliança com o Podemos.

No entanto, a votação desta terça não se deu de forma pacífica. Parlamentares dos partidos de direita, como o PP (Partido Popular, conservador), o Cidadãos (direita neoliberal, espécie de Novo espanhol) e o Vox, tentaram aprovar medida para anular ou questionar a votação favorável a Sánchez. Diante dessa situação, o socialista declarou, após a vitória, que “parece que o problema da Espanha é que ou a direita governa ou ela não deixa ninguém governar. Isso (tentar boicotar o seu governo) é o que vocês sempre fazem. Mas não poderão seguir com essa pirraça para sempre”.

O temor da direita não é por acaso: a aliança entre o PSOE, Unidas Podemos e Más País significa o primeiro governo que envolve praticamente todos os setores da esquerda espanhola, levando a um cenário que, ao menos em teoria, se assemelha muito ao sucesso que vem acontecendo em Portugal com a Geringonça – coalizão liderada pelos socialistas, com o apoio dos comunistas e do Bloco de Esquerda.

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