Após sair do anonimato, Sleeping Giants Brasil lança site e manifesto contra fake news e discurso de ódio

Casal fundador diz que movimento já convenceu quase 700 empresas a desmonetizarem propagadores de mentiras no país, num total de R$ 1,5 milhão, e pedem participação do público

O casal de estudantes de direito do Paraná que criou o perfil Sleeping Giants Brasil em redes sociais decidiu ampliar o movimento e lançar um site para conseguir mais colaboradores. Também lançaram um manifesto contra as fake news e o discurso de ódio.

O Sleeping Giants foi um movimento que começou nos Estados Unidos, no qual consumidores alertam grandes empresas que seus anúncios estão financiando canais, perfis e sites que propagam fake news e discurso de ódio. Ao serem alertadas, as companhias podem, se não quiserem mais financiar esses movimentos, pedir às empresas de internet que não direcionem sua publicidade para esses perfis e sites.

Mayara Stelle e Leonardo de Carvalho Leal, ambos de 23 anos, disseram que decidiram vir a público e mostrar seus rostos, “já que o Twitter entregou os nossos dados para um propagador de fake news”, segundo escreveram em redes sociais.

Para lançar o site e o manifesto, Mayara e Leonardo fizeram um vídeo em que contam sua atuação em forma de jogral. “A gente estava cansado de ver as fake news entrarem sem serem convidadas em nossas casas, nossas relações com amigos, familiares e nas redes”, diz Mayara. “Era algo que mexia pessoalmente com a gente. Buscamos uma resposta para virar esse jogo”, segue Leonardo. Os dois dizem então juntos: “Por isso criamos o perfil Sleeping Giants Brasil”. O objetivo, segundo os estudantes, é “desmonetizar o discurso de ódio e as fake news em solo brasileiro”.

No tempo em que estão no ar, dizem já ter conseguido mobilizar 570 mil consumidores brasileiros, que convenceram quase 700 empresas a tirar seus anúncios de publicações que propagavam exatamente o que eles queriam evitar. Em seus cálculos, o movimento tirou cerca de R$ 1,5 milhão desses perfis.

Agora, eles lançam um site para ampliar o movimento e pedem ajuda de internautas que concordem com sua causa. O site é https://www.sleepinggiantsbrasil.com.

Manifesto

No site, eles publicam um manifesto contra manifestações de ódio e fake news. Leia abaixo a íntegra.

“É o desafio da nossa geração o combate a fake news e ao discurso de ódio.

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Embora assuntos antigos, as novas dinâmicas de consumo, de compartilhamento de informações e o alcance das redes sociais potencializaram as consequencias da desinformação e da intolerância.

As notícias fraudulentas vem abalando democracias e instituições. O discurso de ódio vem contaminando o espaço da internet livre.

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Um mal deste tempo que tira nosso sono há anos.

Foi quando um artigo no jornal nos revelou todo um mundo que os Sleeping Giants nos EUA vinham fazendo ruir.

Um movimento pra tornar o fanatismo e o sexismo menos lucrativo“.

Como uma ferramenta tão simples poderia ser tão poderosa?

Estudamos o funcionamento da mídia programática para comprovar que as empresas, de fato, não têm ideia de para onde vão os milhões que investem em publicidade.

E não é justo que as pessoas ganhem dinheiro com notícias fraudulentas, prejudicando a estabilidade democrática do país, ofendendo minorias, propagando racismo.

E foi assim que, numa madrugada, do nosso celular pessoal, no interior do Brasil, com uma pitada de indignação, um toque de esperança e nenhuma pretensão, nasceu o Sleeping Giants Brasil.

Nosso único objetivo era, como consumidores e cidadãos, alertar as empresas se elas queriam associar seus nomes com aqueles conteúdos.

Fomos abraçados por uma audiência ansiosa por atingir essa indústria que distorce o imaginário popular, obsta o debate democrático, estimula a quebra da reserva institucional, divide a sociedade e destrói a coesão social necessária ao avanço civilizatório.

E por isso crescemos tão rapido.

Mas cresceram também as ameaças contra nós. Descobrimos, pelos ataques coordenados que passamos a sofrer, que essa é, de fato, uma indústria, uma rede organizada, que movimenta milhões.

E com o direito de não tolerar a intolerância, não nos deixaremos intimidar.

Com a cara limpa de quem tem orgulho da atividade que realiza, com a força coletiva de meio milhão se seguidores, e com a certeza de que é com criatividade e coragem que se solucionam as questões da humanidade, vamos seguir alertando empresas e consumidores do poder e da responsabilidade de cada um de nós

E porque acreditamos na democracia, na ciência, no direito à informação, na internet livre, na valorização da diversidade, na dignidade da pessoa humana, na ética, na liberdade de imprensa, e num futuro mais justo e solidário e na cultura da paz, seguimos”.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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