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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Atingidos pelas barragens do Madeira iniciam acampamento em Rondônia

Cerca de 1000 manifestantes atingidos pelas barragens de Santo Antônio e Jirau montaram acampamento hoje (11) em Porto Velho/RO. Nesta manhã, as atividades iniciaram com uma assembléia, cujo objetivo foi apontar os problemas causados pelas hidrelétricas que estão sendo construídas no rio Madeira.

"Denunciaremos a forma truculenta com que as empresas estão expulsando os ribeirinhos e o caos social e ambiental que se instalou nas margens do rio e na cidade de Porto Velho e entorno", afirmou Tânia Leite, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O acampamento faz parte da Jornada que demarca o Dia internacional de luta contra as barragens, 14 de março, e continuará durante toda semana.

O MAB denuncia que mesmo com o boicote das empresas construtoras das barragens, que tentaram inviabilizar o deslocamento das famílias, o acampamento reuniu a grande maioria das comunidades ribeirinhas: "Quem está tendo suas vidas destruídas se mobilizou e está aqui, mesmo que os ônibus tenham sido boicotados", afirmam as lideranças. Além disso, acusam as empresas de esconderem da sociedade os impactos negativos das barragens, como a expulsão dos moradores e o descaso com o meio ambiente. Em dezembro do ano passado as empresas foram multadas pelo Ibama em R$ 7,7 milhões pela morte de 11 toneladas de peixe, em conseqüência das obras.

No acampamento, outro ponto de debate será os problemas que a capital do estado está enfrentando com a chegada de milhares de ribeirinhos e de pessoas de outros estados que vêm a Porto Velho na expectativa de encontrarem emprego.

Porém a cidade não está preparada quanto ao sistema de infra-estrutura, saúde, segurança, educação e transporte, como já diziam militantes do Movimento. Segundo reportagem da FSP deste domingo (8), "há um déficit de 2000 vagas nas escolas públicas; a espera por atendimento nos hospitais chega a dois dias; a falta de leitos deixa pacientes em estado grave à espera de cirurgias por meses; as ruas mal asfaltadas, sem calçamento, estacionamentos e sinalização não comportam os 135 mil veículos que circulam pela cidade".

Progresso em desenvolvimento para quem? Este é o questionamento que os atingidos pelas barragens do Madeira querem fazer ao presidente Lula, que visita a cidade amanhã (12). Os manifestantes exigem do governo a presença do presidente no acampamento para entrega da pauta de reivindicação das populações que serão atingidas e prejudicadas pelas barragens. "O MAB e demais movimentos contam com a presença do presidente aqui no acampamento, queremos que ele ouça nossas reivindicações" afirma Tânia Leite.

A notícia é do MAB, com informações da Adital.


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