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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Ativista afirma que ainda há preconceito e estigma sobre portadores do vírus HIV

O doutor em Saúde Coletiva e coordenador-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Veriano Terto, criticou hoje, 22, a postura de parte da sociedade brasileira que, segundo ele, ainda hostiliza e vê com preconceito a pessoa com aids.

“Com a carga de estigma que os soropositivos têm que enfrentar é muito difícil ele ter cuidado consigo próprio e com os demais. O soropositivo ainda vive num meio hostil a ele, então é natural que alguns soropositivos também vão reagir de forma hostil”, afirmou durante bate papo virtual que faz parte da programação do Prevenção na Rede: Fórum Virtual sobre DST/Aids.

Segundo a pesquisa Comportamento, Atitudes e Práticas Sexuais da População Brasileira, realizada pelo Ministério da Saúde entre setembro e novembro de 2008, 13% dos brasileiros acreditam que uma professora portadora do vírus da aids não pode dar aulas em qualquer escola; 22,5% afirmam que não se pode comprar legumes e verduras em um local onde trabalha um portador do HIV e 19% pensam que, se um membro de uma família ficasse doente de aids, essa pessoa não deveria ser cuidada na casa da família. A pesquisa fez entrevistas com 8 mil pessoas em todo o país.

De acordo com Terto, os resultados da pesquisa comprovam "o preconceito, a representação de perigo que ainda é atrelada aos soropositivos e a ignorância, que reforça esses valores de ameaça".

A epidemia é considerada estável no Brasil. Segundo oBoletim Epidemiológico Aids/DST 2008, estima-se que existam 630 mil pessoas infectadas pelo HIV no país. No sexo feminino as maiores taxas de incidência estão na faixa etária entre 30 e 39 anos, no masculino, entre 30 e 49 anos.

Durante o bate papo virtual, o coordenador discordou da afirmação de que o soropositivo “sempre tem que contar” que carrega o vírus. “Ninguém diz que é [positivo] para hepatite, HPV, por que que para o HIV tem que ter essa revelação? A gente não sabe qual é a prevenção? Então por que essa insistência em cima do HIV?”, questionou.

Terto destacou a importância de que escolas e empresas exponham suas políticas sobre o assunto para que a pessoa com aids se sinta à vontade para falar da doença. “Se eu quero, numa escola, que as pessoas soropositivas se revelem, eu tenho que divulgar qual é a política da escola, ao contrário, não adianta, eu não vou criar um ambiente favorável”, explicou.

Sobre a criminalização de casos de transmissão do vírus, o coordenador afirmou que usar a lei criminal em saúde pública só vai aumentar o preconceito perante o soropositivo e afastá-lo do posto de saúde e de medidas educativas, o que não será eficaz para a prevenção.

No dia 29 de abril, será realizado o Encontro Nacional sobre Prevenção das DST/Aids que vai reunir, em Brasília, especialistas para sistematizar as principais discussões ocorridas desde o início do fórum.

O Prevenção na Rede: Fórum Virtual de DST e Aids é uma iniciativa do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde e tem o objetivo de discutir com a sociedade experiências inovadoras na área de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.


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