Atlas da Violência: homicídios aumentam 11,5% entre negros e caem 12,9% para os demais em dez anos

Levantamento aponta ainda que uma mulher foi morta a cada duas horas no país em 2018, ano base dos dados analisados; entre elas, 68% das vítimas eram negras

O Atlas da Violência, divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou mais uma face da desigualdade racial do país. Entre 2008 e 2018, os homicídios caíram 12,9% entre os não negros. Mas, entre negros – a soma de pretos e pardos, segundo classificação do IBGE, houve um aumento de 11,5% no total de homicídios no mesmo período.

Nesse período de uma década, para cada não negro (soma de brancos, amarelos e indígenas) assassinado, o Atlas aponta que 2,7 pessoas negras foram mortas.

O relatório foi feito com base nos dados de 2018, último ano em que há números disponíveis. Apenas naquele ano, os negros foram 75,7% das vítimas de homicídios.

A chance de um homem negro ser vítima de um homicídio no país é 74% maior do que se ele não for.

Na comparação anual, os homicídios caíram 12% no país em 2018 em relação a 2017. E, mesmo nesse corte, os números mostram a desigualdade racial. Entre não negros, a diminuição da taxa de homicídios foi igual a 13,2%, enquanto entre negros foi de 12,2%.

Violência contra a mulher

O relatório destaca também que, em 2018, uma mulher foi assassinada a cada duas horas no Brasil. Naquele ano, 4.519 mulheres foram mortas no país. Entre 2017 e 2018, houve uma redução de 8,4% nesse número.  

Mas novamente nesse indicador há a demonstração da desigualdade racial: a queda foi maior para as mulheres não negras (12,3%) do que para as negras (7,2%). Em 2018, 68% das mulheres assassinadas eram negras.

O relatório expande a análise para o período entre 2008 e 2018 e constata que  essa diferença fica ainda mais evidente: enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras caiu 11,7%, a taxa entre as mulheres negras aumentou 12,4% naquela década.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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