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12 de novembro de 2016, 16h23

Attuch: É o fim do império?

O que fará Donald Trump na Casa Branca? Antes de responder a essa questão, há outra que a precede.

Por Leonardo Attuch

O que fará Donald Trump na Casa Branca? Antes de responder a essa questão, há outra que a precede. Como, afinal, ele se impôs, atropelando a candidata do establishment político e financeiro, Hillary Clinton, e o próprio Partido Republicano? A razão é uma só: o mal-estar crescente, na sociedade americana, com a globalização, que exportou empregos industriais em menor escala para o México e, em maior volume, para a China – um descontentamento semelhante ao que provocou a vitória do “brexit” na Grã-Bretanha.

Trump, portanto, espelha a decadência imperial. É a falta de perspectivas do trabalhador de classe média que inspirou o slogan “Make America Great Again”. Essa nostalgia da grandeza, ou do sonho americano, não poderia ser melhor interpretada do que por um bilionário, que se vende como autêntico “self-made man”, capaz de transformar os próprios fracassos em grandes recomeços. E que também, como comunicador profissional, soube explorar os preconceitos e os piores instintos de uma sociedade amedrontada.

Trump, portanto, poderia ser qualificado como um populista de direita. No entanto, boa parte da esquerda norte-americana torceu por sua vitória – ainda que, em muitos casos, sem assumir essa posição. O motivo é simples. Trump, aos olhos dessa esquerda, representa um risco menor para o mundo do que Hillary Clinton, que, como secretária de Estado, deixou suas digitais em ações desastrosas, como as intervenções no Iraque, no Afeganistão, na chamada “primavera árabe” e até mesmo em mudanças de regime na América Latina, como já ficou provado em Honduras.

O presidente eleito nos Estados Unidos, no entanto, construiu uma reputação de “isolacionista”, quando, na verdade, seu discurso era bem mais pacifista do que o de Hillary. Sobre a crise síria, que já matou centenas de milhares de pessoas e exporta hordas de refugiados para a Europa, Trump afirmou que o papel dos Estados Unidos não deve ser o de armar rebeldes, nem combater o governo local ou confrontar a Rússia. O inimigo, disse ele, é o Exército Islâmico, que, com a política externa de Barack Obama e Hillary Clinton, vinha se fortalecendo.

Sobre seus supostos laços com a Rússia, ao ser questionado por Hillary na campanha, Trump deu uma reposta prática e direta. “Por que não podemos nos dar bem com eles? Temos que ser inimigos e apontar armas?” Em relação à bomba nuclear norte-coreana, ele afirmou que o problema diz respeito ao Japão, à China e à Coreia do Sul, e não aos Estados Unidos.

Na prática, com esse tipo de discurso, os Estados Unidos desembarcam de sua posição imperial – que já não conseguiam sustentar economicamente – e chamam os demais países à responsabilidade de zelar pela paz mundial. Com isso, chega ao fim a era da hegemonia da “hiperpotência americana” e abre-se uma nova etapa, de um mundo realmente multipolar. Ou seja: um cenário muito mais justo e propício à paz mundial, onde os BRICs podem vir a jogar um papel decisivo.

Foto: montagem Brasil 247


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