Ausência de tecnologia pode ser entrave para plantação de cannabis no Brasil

Apesar da terra boa, clima favorável e terreno de sobra, país carece de tecnologias para o plantio de maconha

O Brasil tem terra boa, clima favorável e terreno de sobre para o plantio de cannabis, porém, além da questão da regulamentação, há outro entrave: a falta de tecnologias adequadas para tal produção.

Ao jornal Folha de S. Paulo, Sergio Barbosa, pesquisador e fundador da startup ADWA Cannabis diz que “há uma tendência de importar modelos de produção que já estão sendo executadas em outros países” e isso se dá, principalmente com o surgimento de uma nova cultura.

O pesquisador afirma que o Brasil está atrasado no mercado da cannabis, pois, EUA, Canadá e Europa largaram na frente e desenvolveram tecnologias para o manejo como máquinas para o plantio, colheita e pós-colheita.

Em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e, a partir do Departamento de Fitotecnia e do Grupo Brasil de estudo sobre a Cannabis Sativa L., a startup quantificou as áreas com melhor aptidão para o cultivo da maconha, e fez isso dividindo entre produção de fibras, flores e sementes.

De acordo com o estudo, o Brasil tem aproximadamente 7,5 milhões de quilômetros quadrados de áreas disponíveis para o cultivo da cannabis.

Deputado propõe que Embrapa controle o plantio de cannabis medicinal

O deputado federal Ronaldo Santini (PTB-RS), propôs, em ofício enviado ao presidente Jair Bolsonaro (Sem partido), que a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) seja a responsável pela produção de maconha para fins medicinais.

Santini reconheceu a importância da cannabis para fins medicinais, mas fez questão de reforçar o seu posicionamento contra o uso recreativo.

“Se é tão importante assim que façamos a produção da maconha para extrairmos o canabidiol e minimizar a dor daqueles que precisam desta medicação, barateando seu custo e tornando-a mais acessível; se temos medo que o país perca o controle (em relação ao) uso recreativo, a que nós combatemos com veemência, (este seria um modo de atender os) anseios dos que esperam o medicamento e aqueles que temem que a produção da maconha se torne um problema para o nosso país”, disse o parlamentar.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).