Omar Aziz aciona STF e pede condução coercitiva de Marconny Albernaz

A CPI quer saber sobre a possível atuação de Marconny como lobista da Precisa Medicamentos e qual é a sua relação com a família Bolsonaro, pois, documentos apontam que o lobista ajudou o filho mais novo do presidente a abrir sua empresa

O presidente da CPI do Genocídio, o senador Omar Aziz (PSD-AM), acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que a polícia do Senado faça uma condução coercitiva de Marconny Albernaz, da Precisa Medicamento, que prestaria depoimento nesta quinta-feira (2).

O pedido de Aziz se deu pela suspeita de que o depoente está tentando de todas as maneiras não comparecer à Comissão.

Por sua vez, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que, caso Marconny Albernaz não seja encontrado, irá entrar com um pedido de prisão preventiva.

Atestado médico questionável

Marconny apresentou atestado médico para não depor na Comissão, mas o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), revelou que o médico responsável deve cancelar o atestado.

Os senadores julgaram suspeito a longa dispensa de 20 dias que o advogado apresentou, concedida, segundo Marconny, pelo hospital Sírio Libanês, em Brasília, e decidiram entrar em contato com o hospital para confirmar a internação.

De acordo com Randolfe, o médico teria percebido uma “simulação” do lobista e, por isso, quis revogar a medida. Após a conversa com o médico, a CPI decidiu manter o depoimento do lobista.

Por conta da desconfiança, o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, já se pronunciou e disse que recorrerá à Justiça para garantir que o depoimento aconteça.

Lobby

A CPI quer saber sobre a possível atuação de Marconny como lobista da Precisa Medicamentos e mais informações sobre o contrato de R$ 1,6 bilhão que seria fechado com a pasta da Saúde para a compra da Covaxin.

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Marconny também será interpelado sobre sua participação na venda de testes contra a Covid-19 ao governo de Jair Bolsonaro. Investigações realizadas pelo Ministério Público Federal, compartilhadas com a CPI, apontam que Marconny teria encaminhado mensagens com explicações sobre o suposto processo irregular na compra dos testes.

Renan Bolsonaro

Os Senadores também querem saber do lobista qual o seu envolvimento com a família do presidente Jair Bolsonaro. A CPI da Covid obteve documentos que mostram que Jair Renan Bolsonaro, o filho 04 do presidente, recebeu ajuda de Marconny para abrir sua empresa de eventos.

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Jair Renan Bolsonaro trocou pelo menos uma centena de mensagens com Marconny Albernaz, além de conversas ao telefone. Todas copiadas pelo MPF do Pará que foram enviadas à comissão.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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