Bangladesh inaugura a primeira escola religiosa para estudantes transexuais

Maioria das pessoas transexuais do país abandonam os estudos e não conseguem emprego; escola pode começar a mudar este cenário

Foi inaugurada em Dhaka, capital de Bangladesh, a Madrassa (que é uma escola muçulmana que tanto poder ser pública quanto privada) Terceiro Sexo Dawatul Koran. A escola, que é a primeira voltada para alunos transexuais, será financiada por uma fundação criada pelo falecido Ahamd Ferdous Bari Chowdhury, empresário que queria educar a comunidade hijra de Bangladesh.

A inauguração da madrassa, que aconteceu na semana passada, para alunas transexuais foi recebida de maneira muito positiva pela comunidade de hijras, pois, a maioria delas não possuem educação formal e, dessa maneira, não sabem ler nem escrever. Consequentemente, não conseguem trabalhos formais. A maioria delas ganha dinheiro dançando e cantando.

“Não estabelecemos nenhum limite de idade. Qualquer pessoa pode ser matriculada aqui se for identificada como do terceiro gênero, mesmo se for uma pessoa madura, não importa a idade que tenha”, disse Mohammad Abdul Aziz Hussaini, secretário de educação responsável pela madrassa.

De acordo com dados levantados pela BBC, o governo de Bangladesh tem hoje cerca de 10 mil hijras, como são conhecidas as pessoas trans no sul da Ásia. Todavia, outros levantamentos indicam que o número possa passar de 50 mil. A transexualidade é reconhecida oficialmente com o terceiro gênero no país.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).