Bolsonaro apresenta estudo de remédio contra Covid-19 com gráfico de banco de imagens

Sem números nem referências, ilustração aparentemente mostra queda de indicadores; veja os dois gráficos

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) usou um gráfico extraído do banco de imagens Shutterstock para aparentemente mostrar resultados positivos dos efeitos de um medicamento contra a Covid-19.

A pesquisa foi coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Era sobre a eficácia do medicamento nitazoxanida. O estudo foi conduzido em voluntários, segundo o governo.

No vídeo de apresentação que antecedeu a apresentação dos resultados, aparece um gráfico de barras animado em tons de azul com uma seta apontando para dados em queda. Ele não tem números ou indicações. Quando os dados começam a aparecer, a legenda é “Comprovado cientificamente, reduz a carga viral, fase precoce”. Quando chega ao menor valor, aparece a inscrição: “Nitazoxanida é eficaz”.

Mas a imagem é uma das que estão no arquivo da agência internacional Shutterstock. Ela está disponível para compra nesse link por valores de US$ 69 a US$ 179, dependendo da resolução. Veja abaixo a original, com a marca d’água da agência.

A descoberta foi feita pelo usuário de Twitter  @and_wolf, comentando publicação de Samuel Pancher sobre o evento.

A semelhança chega ao detalhe dos pequenos números em azul que sobem pela tela.

Sem resultado numérico

Na cerimônia, a coordenadora do estudo, Patricia Rocco, descreveu a pesquisa, dizendo que houve aplicação do medicamento e de placebo em dois grupos de pacientes.

Ela afirmou que eram aplicados 500 mg de nitazoxanida três vezes ao dia em pacientes infectados pelo novo coronavírus e, em outro grupo, era administrado o placebo.

Ao final da terapia, disse a pesquisadora, novos exames eram coletados. E eles eram acompanhados até sete dias após o tratamento.

Segundo a coordenadora, houve “ redução significativa da carga viral” no final da terapia, com “um maior número de pacientes negativo para Sars-Cov-2”.

Mas ela não forneceu os números de fato do estudo. “Infelizmente neste momento não posso apresentar mais detalhes do estudo pois ele foi submetido a revista internacional e isso faria que ele perdesse o ineditismo, limitando a publicação”, afirmou.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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