Boulos: com unidade do campo progressista é possível derrotar o ‘tucanistão’

O líder do MTST falou sobre colocar o seu nome para disputar o governo do Estado de São Paulo e destacou a alta rejeição do governo Doria e da necessidade de, desde já, iniciar um trabalho pelo interior do estado paulista

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, em entrevista ao Fórum Onze e Meia, falou sobre o fato de ter colocado o seu nome à disposição do PSOL para disputar a eleição para o governo do Estado de São Paulo. Boulos destacou que o foco da esquerda e do campo progressista, neste momento, é combater a pandemia, a fome e o governo Bolsonaro, porém, afirmou que é necessário discutir saídas para o que ele chamou de “buraco” onde o país se encontra.

“Nós precisamos discutir as saídas, e a saída disso passa por construir alternativa. Seja agora para um processo de impeachment do Bolsonaro, seja em 2022. Desde que acabou as eleições municipais aqui de São Paulo, que a gente saiu com mais de 2 milhões de votos, com uma força da juventude, com um engajamento de muita gente nesse projeto. Muitas pessoas têm me procurado, inclusive de outros partidos políticos do campo progressista para discutir um projeto para São Paulo e eu acho que há, de verdade, para 2022 uma oportunidade para a gente acabar com o ‘tucanistão’. Com essa hegemonia nefasta de 30 anos do PSDB em São Paulo”, disse.

Guilherme Boulos destacou a alta rejeição do governo João Doria (PSDB) e o cansaço da população paulista com a hegemonia tucana como dois fatores que o levam a acreditar na possibilidade de derrotar o PSDB em 2022 no estado de São Paulo.

“O Doria durante a pandemia tentou passar a imagem de sendo alguém razoável… medindo na régua do Bolsonaro fica fácil ser sensato. Não ser negacionista não deveria ser um mérito na política, deveria ser uma obrigação básica. Mas a gente precisa pontuar que uma das primeiras medidas que ele anunciou, lá em Davos, é de que ele iria privatizar o Instituto Butantan e hoje ele diz que é o pai da vacina. Ele se coloca como defensor da ciência, mas no começo da pandemia quis cortar 1/3 do orçamento da Fapesp, que é a principal instituição de pesquisa do estado. A condução da pandemia, embora não tenha sido negacionista, foi errática e elitista pelo governo João Doria”, criticou.  

Para Guilherme Boulos, apesar de acreditar na possibilidade para derrotar a hegemonia tucana, afirmou que “isso só será possível com unidade eu vou trabalhar para isso. Tenho feito conversas para que a gente tenha unidade do campo progressista e tenho muita disposição de rodar o estado de São Paulo para enfrentar o tucanistão”.

Boulos lembrou que no fim da eleição de 2020, à prefeitura da cidade de São Paulo, quando foi derrotado no segundo turno por Bruno Covas (PSDB), afirmou que ia trabalhar desde aquele momento para construir a unidade do campo progressista e afirmou que, ao colocar o seu nome para a disputa do governo estadual tem por objetivo abrir conversas com lideranças do interior paulista, região onde a esquerda sempre teve dificuldade para entrar.

“Eu fiz essa declaração para que seja o início de um debate, da mesma forma que o debate já se abriu nacionalmente com uma unidade do campo progressista, que seja o início de um debate para a união do campo progressista em São Paulo. Quero fazer essa discussão com os partidos da esquerda e da centro esquerda de São Paulo”, disse Boulos.

Leia também

Abaixo, você confere a entrevista na íntegra.

Avatar de Marcelo Hailer

Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).