Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
28 de janeiro de 2017, 21h18

Brasil é o país em que mais se procura pornografia trans e que mais se mata pessoas trans

O Brasil, ao mesmo tempo em o Brasil é o país em que mais se procura e assiste pornografia com pessoas trans, também é o país em que mais se cometem assassinatos de mulheres travestis, mulheres transexuais e homens trans. Leia aqui artigo sobre o assunto, que ressalta ainda o lançamento do livro “Dossiê: A geografia dos corpos das pessoas trans”.

O Brasil, ao mesmo tempo que é o país em que mais se procura e assiste pornografia com pessoas trans, também é o país em que mais se cometem assassinatos de mulheres travestis, mulheres transexuais e homens trans. Leia aqui artigo sobre o assunto, que ressalta ainda o lançamento do livro “Dossiê: A geografia dos corpos das pessoas trans”.

Por Luisa Stern*, colaboradora da Rede Fórum 

A visibilidade trans e o recorde de assassinatos

Poderia tratar-se de apenas mais um chavão afirmar que o Brasil é um país de contrastes. Nesse caso, porém, revela uma triste e dura realidade. Ao mesmo tempo em o Brasil é o país em que mais se procura e assiste pornografia com pessoas trans, também é o país em que mais se cometem assassinatos de mulheres travestis, mulheres transexuais e homens trans.

Segundo levantamento da ONG Transgender Europe – TGEU para o projeto “Trans Respeito versus Transfobia”, no período de 2008 a 2015 aconteceram 802 assassinatos de pessoas trans no Brasil. Importante dizer que no período não havia um levantamento confiável sobre o assunto e muitos crimes ficavam subnotificados como se fossem casos de homofobia em um levantamento empírico feito por um grupo de gays, com base em notícias de jornais e portais de Internet.

Em 2016, o ano começou com uma série de assassinatos brutais em uma quantidade que se multiplicava de maneira assombrosa. A partir daí, a Rede Trans – Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil, começou a fazer o monitoramento dos casos de maneira mais criteriosa e publicar em seu site, assim como estatísticas sobre suicídios e outros casos de violência. O ano de 2016 se encerrou com o recorde de 147 assassinatos, ao mesmo tempo em que a Rede Trans realizou uma parceria com a Transgender Europe, para que esse monitoramento passe a alimentar as estatísticas internacionais.

Esse trabalho também resultou na obra “Dossiê: A geografia dos corpos das pessoas trans”, que foi lançada neste sábado (28), no Rio de Janeiro, em uma das atividades relativas ao Dia Nacional da Visibilidade Trans.

Lembrando que a Visibilidade Trans é celebrada em 29 de janeiro porque em 2004, foi lançada uma campanha chamada “Travesti e Respeito” no Congresso Nacional, com apoio do Ministério da Saúde e participação dos movimentos sociais. A partir daí, a data passou a ser chamada de Dia da Visibilidade das Travestis e ao longo do tempo cresceu de importância, tornando-se o Dia Nacional da Visibilidade Trans, se estendendo também a mulheres transexuais e homens trans.

Nessa data ou em dias próximos são realizadas diversas atividades no Brasil inteiro, tanto para reforçar a visibilidade positiva, quanto para chamar a atenção para os crimes e demais vulnerabilidades às quais as pessoas trans estão expostas, bem como cobrar a implementação de políticas públicas para mudar essa realidade em um país que não tem nenhuma lei federal que proteja a população LGBT.

*Luisa Stern é mulher transexual, advogada, militante pela cidadania das pessoas trans e colaboradora da Rede Fórum


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum