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26 de março de 2020, 23h05

Briga na União Europeia: Portugal considera repugnante a posição da Holanda e defende mais solidariedade na crise do coronavírus

Ministro das Finanças holandês propôs investigar a Espanha, que alega não ter dinheiro suficiente para combater a pandemia. Países divergem sobre a emissão dos coronabonds, títulos de dívida pública que distribuiriam o prejuízo de forma mais equilibrada no bloco

O primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, do Partido Socialista (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa, classificou de “repugnante” e contrária ao espírito da União Europeia uma declaração do ministro das Finanças da Holanda, Wopke Hoekstra. O holandês pediu que a Espanha seja investigada por não ter capacidade orçamental para combater a pandemia do coronavírus.

“Esse discurso é repugnante no quadro de uma União Europeia. E a expressão é mesmo essa. Repugnante”, afirmou Antonio Costa, ao ser questionado em entrevista coletiva após a reunião extraordinária do Conselho Europeu, realizada hoje.

Mais cedo, em uma videoconferência dos ministros das finanças dos 27 estados membros do bloco, Hoekstra afirmou que a Comissão Europeia devia investigar países como a Espanha, que afirmam não ter margem orçamental para lidar com os efeitos da crise provocada pelo novo coronavírus, apesar de a zona euro crescer há sete anos consecutivos.

Para o primeiro-ministro de Portugal, a afirmação do ministro das Finanças holandês “é uma absoluta inconsciência” e uma “mesquinhez recorrente” que “mina completamente aquilo que é o espírito da União Europeia e que é uma ameaça ao futuro da União Europeia”.

“Se a União Europeia quer sobreviver é inaceitável que qualquer responsável político, seja de que país for, possa dar uma resposta dessa natureza perante uma pandemia como aquela que estamos a viver”, indignou-se Antonio Costa. “Se não nos respeitamos uns aos outros e se não compreendemos que, perante um desafio comum, temos de ter capacidade de responder em comum, então ninguém percebeu nada do que é a União Europeia.”

O primeiro-ministro lembrou que ouviu discursos como este após a crise de 2008, mas considerou ser uma “boa altura” para todos na União Europeia “compreenderem que não foi a Espanha que criou o vírus” ou “que importou o vírus”, salientando que “se algum país da UE pensa que resolve o problema do vírus deixando o vírus à solta noutro país, está muito enganado”. “Porque numa União Europeia que assenta na liberdade de circulação, de pessoas e bens, em fronteiras abertas, o vírus não conhece fronteiras”, afirmou.

O principal ponto de atrito é a emissão de títulos de dívida pública da União Europeia. A proposta é defendida por pelo menos oito países, incluindo economias menos robustas e muitos dos mais afetados pelo coronavírus, como Itália, Espanha e Portugal. Cinco países com maior margem orçamentária têm mantido firme posição contrária: Alemanha, Áustria, França, Finlândia e Holanda.

A emissão de eurobonds ou coronabonds permitiria aos países obter empréstimos a juros mais baixos e oferecer garantias mais sólidas no mercado. A medida também dividiria os prejuízos da crise econômica causada pela pandemia de forma mais equilibrada entre todos os países que integram a União Europeia.

Até o momento, o Conselho Europeu acordou apenas algumas medidas de apoio, como liberação de fundos adicionais e flexibilização nas regras orçamentárias e tributárias do bloco, bem como verbas para pesquisas de vacina e remédios. No entanto, o que foi aprovado até agora é considerado insuficiente por muitos países e as negociações devem continuar nas próximas semanas.


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