Tudo caro: café da manhã acumula alta de quase 10%, aponta FGV

Alta no preço dos alimentos deve se manter nos próximos meses; pesquisa também aponta que o Brasil deve registrar inflação acima da apurada entre os países emergentes

O clássico café acompanhado de um pão com manteiga está mais caro. De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), nos últimos 12 meses, o tradicional café da manhã brasileiro acumula alta de 9,40.

De acordo com Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE-FGV), o número ficou um pouco abaixo da inflação medida pelo IPC-DI no mesmo período, que ficou em 9,60%

Hoje, uma xícara pequena de café e um pão na chapa custam em média R$ 5,50 na região central da cidade do Rio de Janeiro. Há um ano, o preço do tradicional café da manhã brasileiro ficava em torno de R$ 4,90.

A alta do preço do café da manhã está relacionada com os prejuízos acumulados pela geada e a estiagem, que afetaram a produção de café no Brasil. Por conta disso, o preço do café em pó subiu 28,69%.

Por sua vez, o preço do pão foi impactado pelo aumento do dólar, que encareceu a farinha de trigo que, em sua grande maioria, é importada da Argentina. A alta registrada pela pesquisa foi de 8,13%.

Além do café e do pão, outros itens analisados apresentaram alta: o queijo tipo minas teve alta de 12,70%, a margarina de 24,30%.

O café da manhã só não teve uma alta ainda maior, porque o leite longa vida registrou pequena variação (0,67%).

A alta no preço dos alimentos deve se manter nos próximos meses. “Apesar de várias commodities alimentícias aparentarem ter superado a crise climática, sobretudo milho e soja, a transmissão de preços desde o produtor de ração, passando pelo pecuarista até chegar ao consumidor final leva tempo, e uma nova tendência de alta no câmbio pode atrapalhar o preço do pãozinho”, disse Matheus Peçanha, responsável pelo estudo da FGV, à CNN Brasil.

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Inflação no Brasil deve ser maior do que em 83% dos países

De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), a economia brasileira deve encerrar este ano com uma inflação maior do que a de 83% dos países do mundo.

Os dados utilizados pelo estudo do Ibre foram colhidos do último relatório “World Economic Outlook”, elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e divulgado na semana passada.

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O FMI projeta para o Brasil uma inflação de 7,9%. No acumulado de 12 meses até setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 10,25%. Se a projeção se confirmar, o Brasil vai registrar uma inflação bem acima da apurada entre os países emergentes (5,8%) e também da média mundial (4,8%).

André Braz, pesquisador do Ibre, afirma: “o que agrava a situação do Brasil é a nossa moeda, que segue desvalorizando mais do que a média das outras divisas”.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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