Entrevista exclusiva com Lula
05 de fevereiro de 2015, 22h42

Campanha machista do Ministério da Justiça é criticada por internautas

Após onda de comentários contrários à peça, a página do MJ no Facebook excluiu a postagem e “pediu desculpas pelo mal entendido”

Por Anna Beatriz Anjos

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Na tarde desta quinta-feira (5), o Ministério da Justiça causou polêmica ao divulgar um meme em sua página no Facebook. A peça, parte da campanha “Bebeu, Perdeu”, cujo objetivo é combater o consumo de álcool por crianças e adolescentes, traz a imagem de uma garota sofrendo bullying de colegas. A cena é complementada pela mensagem “Bebeu demais e esqueceu o que fez? Seus amigos vão te lembrar por muito tempo”.

No período em que ficou no ar, a postagem foi amplamente criticada pelos internautas e acusada de culpabilizar a vítima e naturalizar o bullying e o machismo. Um dos comentários foi publicado pela cantora e compositora Karina Buhr, que, ao compartilhar o meme em seu perfil, escreveu: “Olha o favor que o Ministério da Justiça anda fazendo pras mulheres brasileiras. Acho essa campanha criminosa”.

Após receber uma onda de comentários e compartilhamentos, a página do MJ excluiu a postagem de sua linha do tempo e se posicionou. ” A campanha #‎BebeuPerdeu é muito mais do que isso. Nós nos equivocamos com a peça. Ela tem o objetivo de conscientizar jovens até 24 anos sobre os malefícios do álcool. Atuamos em políticas públicas em conjunto com a Secretaria de Políticas para a Mulher (SPM) contra a violência doméstica, o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher. Pedimos desculpas pelo mal entendido e ao mesmo tempo contamos com a colaboração de todos na campanha”, diz a mensagem.

Para Jarid Arraes, militante feminista e colunista da Fórum, a peça se apoia sobre princípios misóginos. “Não é por acaso que usam figuras femininas; estão dizendo que a mulher que bebe não tem direito de protesto ou proteção, o que nos leva imediatamente a pensar em violências gravíssimas como o estupro de vulnerável e a divulgação de vídeos e fotos íntimas sem o consentimento da mulher”, considera.

Arraes também destaca o simbolismo de uma campanha como essa ter sido produzida por um órgão público, que, teoricamente, deveria conscientizar a população. “Vindo do Ministério da Justiça, é ainda mais revoltante. Uma legitimação do estupro e do machismo. Com uma peça como essa, o Ministério da Justiça desconstrói o trabalho árduo dos movimentos de mulheres no esforço de educar a população contra a violência de gênero”, argumenta.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum