quinta-feira, 1 out 2020
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Carlos Giannazi convoca Bia Doria para esclarecer na Assembleia fala sobre morador de rua ‘gostar’ da situação

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP) apresentou requerimento solicitando a convocação da presidente do Fundo Social de São Paulo, Bia Doria, para prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa do estado (Alesp). Segundo o documento, o parlamentar pede que a primeira-dama paulista explique “as ações em defesa de vulneráveis durante a pandemia de covid-19” realizadas pelo fundo e a “sua recente manifestação, em entrevista concedida no Palácio dos Bandeirantes, na qual afirmou que pessoas em situação de rua gostam de viver assim”.

No dia 3 de junho, Bia Doria chocou a internet ao afirmar que morador de rua escolhe ficar na rua por “capricho”: “Não é correto chegar na pessoa que está na rua e dar marmita, porque a pessoa tem que se conscientizar que ela tem que sair da rua”, disse a mulher do governador João Doria (PSDB).

Ela afirmou ainda que “a rua hoje é um atrativo, as pessoas gostam de ficar na rua”. Bia apareceu no vídeo ao lado da socialite Val Marchiori, que corroborou as afirmações. Criticada nas redes sociais, a primeira-dama alegou que a fala foi tirada de contexto.

Giannazi protocolou o requerimento na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Alesp. Segundo o parlamentar, a gravidade das falas de Bia Doria sobre as pessoas que devem ser ajudadas pela entidade que ela preside justifica a convocação.

O deputado também apresentou um projeto de lei para alterar a escolha do comando do Fundo Social, habitualmente a cargo da mulher do governador. De acordo com o PL 439, a entidade seria dirigida por um Conselho Deliberativo, composto de sete membros, sem remuneração, com mandatos de dois anos.

Governador do Estado, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social, a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais da Alesp, a Defensoria Pública do Estado, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana indicariam um representante cada.

Outros dois seriam representantes da sociedade civil, escolhidos por sua reconhecida atuação social. O presidente do conselho seria eleito entre os membros.

Ricardo Ribeiro
Ricardo Ribeiro
Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.