terça-feira, 29 set 2020
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Carta aberta ao governador Romeu Zema

Por Reginaldo Lopes (deputado federal) e Cristiano Silveira (deputado estadual)

Governador,

A situação no Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, é gravíssima!

O despejo das 450 famílias que ali vivem e produzem significa colocar milhares de pessoas completamente desamparadas em meio a uma pandemia.

A PM já atacou as famílias com bombas, deixando pessoas feridas e agora impede a presença de médicos e remédios. Barrou até mesmo comida para as crianças!

Certamente, o senhor está bem informado da situação. No momento em que escrevo essas linhas, ela já deve estar ainda pior.

O Quilombo Campo Grande existe há mais de 20 anos e o Movimento dos Sem Terra (MST) alega que o despejo contraria acordo formado para a permanência das famílias, pelo menos, enquanto durar a necessidade do isolamento social.

Essas terras não pertencem a nenhuma família, é do Estado brasileiro, pois os antigos proprietários devem cerca de R$ 500 milhões aos cofres públicos. Elas foram ocupadas por trabalhadores de uma antiga usina que não pagou seus funcionários. Eles passaram a cultivar, entre outros produtos, café, milho, feijão, hortaliças, e construíram até a Escola Popular Eduardo Galeano, derrubada pela ação policial.

Não há sentido em atacar famílias e escolas, governador, principalmente, durante uma pandemia. Menos ainda de promover o caos e um massacre contra trabalhadores, trabalhadoras, idosos e crianças.

Peço sensibilidade e capacidade de diálogo ao governador do estado da liberdade e que valorize as vidas e à dignidade humana. É fundamental que o senhor emita um decreto suspendendo o despejo e que nomeie uma comissão para tratar o caso de maneira respeitosa e democrática. Não seja o responsável de um massacre totalmente evitável.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

Reginaldo Lopes
Reginaldo Lopes
O economista está no seu quinto mandato de deputado federal pelo PT de Minas. Natural de Bom Sucesso-MG, é filho de uma família de lavradores rurais. Iniciou na política no movimento estudantil e no Congresso atuou na aprovação de Políticas Públicas para a juventude e na expansão das instituições federais de ensino. Atualmente, defende um pacto federativo mais justo e um novo modelo tributário com a taxação de lucros, dividendos e grandes fortunas.