sábado, 24 out 2020
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CBV usa termo racista para criticar “Fora Bolsonaro” de Carol Solberg

Jogadora é filha de Isabel, uma das maiores atletas da história do vôlei brasileiro, e comemorou medalha neste domingo com grito contra o presidente, o que a Confederação considerou que “denigre a imagem do esporte”

A entrevista da jogadora Carol Solberg ao canal SporTV, após a sua dupla com Talita Antunes conquistar a medalha de bronze na etapa de Saquarema do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, causou a ira da direção da CBV (Confederação Brasileira de Vôlei).

Na ocasião, a atleta se despediu do público dizendo “só pra não esquecer: Fora Bolsonaro!”. Uma manifestação política que enfureceu os dirigentes do vôlei brasileiro, que expressaram sua insatisfação em uma nota publicada durante a tarde deste mesmo domingo (20).

No comunicado, a entidade registrou seu “repúdio à utilização dos eventos para realização de quaisquer manifestações de cunho político (…) atos como esse denigrem a imagem do esporte”.

Em sua argumentação, a CBV utiliza o verbo “denegrir”, que vem da ideia de “tornar negro” e é usado para associar o conceito de negritude com qualquer ideia ou valor negativo ou pejorativo, razão pela qual é visto como uma expressão racista.

A postura política de Carol Solberg talvez não seja tão surpreendente, já que pode-se dizer que vem de família. Ela é filha de uma das jogadoras mais importantes da história do vôlei brasileiro: Isabel Salgado, que costuma expressar suas posições políticas, e que também já declarou ser crítica ao governo de Jair Bolsonaro.

Em junho deste ano, Isabel também repercutiu nacionalmente por uma carta enviada a sua ex-companheira de Seleção Feminina e hoje ativista política ultraconservadora Ana Paula Henckel.

Na ocasião, a mãe de Carol Solberg disse que Ana Paula “presta um desserviço no processo de combate ao racismo” – a afirmação foi uma resposta a um vídeo em que a ex-atleta conservadora criticou as marchas do Black Lives Matter que protestaram contra o assassinato de George Floyd e ainda afirmou que as polícias, no Brasil e nos Estados Unidos, não são racistas, justificando tal opinião com estatísticas (questionadas) sobre crimes realizados por pessoas negras.

Leia a íntegra da nota da CBV:

A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), vem, através desta, expressar de forma veemente o seu repúdio sobre a utilização dos eventos organizados pela entidade para realização de quaisquer manifestações de cunho político.

O ato praticado neste domingo (20.09) pela atleta Carol Solberg durante a entrevista ocorrida ao fim da disputa de 3º e 4º lugar da primeira etapa do Circuito Brasileiro Open de Volei de Praia – Temporada 2020/2021, em nada condiz com a atitude ética que os atletas devem sempre zelar.

Aproveitamos ainda para demonstrar toda nossa tristeza e insatisfação, tendo em vista que essa primeira etapa do CBVP OPEN 2020/2021, considerada um marco no retorno das competições dos esportes olímpicos, por tamanha importância, não poderia ser manchada por um ato totalmente impensado praticado pela referida atleta.

Por fim, a CBV gostaria de destacar que tomará todas as medidas cabíveis para que fatos como esses, que denigrem a imagem do esporte, não voltem mais a ser praticados.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).