Centrais sindicais se manifestam contra ataques de Bolsonaro à democracia

"Exigimos providências para resguardar o Estado de Direito", diz o texto, que ressalta que Bolsonaro teria cometido crime de responsabilidade ao incentivar um ato contra o Congresso e o STF

Sergio Nobre, presidente da CUT (Central única dos Trabalhadores), Miguel Torres, presidente da Força Sindical, Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Adilson Araújo, presidente da CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), José Calixto Ramos, presidente da NCST (Nova Central de  Sindical de Trabalhadores) e Antonio Neto, presidente da CSB (Central de Sindicatos do Brasil)assinam uma carta publicada hoje no site da CUT em defesa à democracia e ao Estado de Direito.

O texto diz que “a sociedade brasileira recebeu com espanto a notícia de que o presidente da República, eleito democraticamente pelo voto em outubro de 2018, assim como governadores, deputados e senadores, disparou por meio do seu Whatsapp  convocatória para uma manifestação contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, a ser realizada em todo país em 15 de março próximo” e chama a atenção para o fato de que o presidente, mais, uma vez, ignora a responsabilidade do cargo que ocupa pelo voto, agindo “contra a democracia, a liberdade, a Constituição, a Nação e as Instituições”.

A nota segue: “Não há atitude banal, descuidada e de ‘cunho pessoal’ de um presidente da República. Seus atos devem sempre representar a Nação e, se assim não o fazem, comete crime de responsabilidade com suas consequências”.

A nota também reproduz o Art. 85 da Constituição Federal, que trata dos crimes de responsabilidade e coloca que precisamos “ultrapassar essa fase de bate-bocas nas redes sociais e de manifestações oficiais de repúdio aos descalabros do presidente da República”.

“Diante desse escandaloso fato, as Centrais Sindicais consideram urgente que o  Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional se posicionem e encaminhem as providências legais e necessárias, antes que seja tarde demais”, finaliza o texto.

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Clara Averbuck

Escritora e jornalista, autora de 9 livros.