Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
08 de fevereiro de 2012, 19h14

Centrais sindicais e MST reunem-se em manifestação na Paulista

No último dia da jornada nacional de lutas do MST, vários movimentos sociais uniram-se ao grupo em manifestação na avenida Paulista nesta manhã. Além de movimentos pela terra, também participaram  centrais sindicais, movimentos estudantis, movimentos feministas e alguns deputados.

O MST tem organizado manifestações e ocupações de órgãos governamentais em todo o Brasil desde a semana passada. Nesta segunda-feira, 10, o MST do estado de São Paulo chegou à capital e desde então tem organizado marchas diariamente. Além da exigência de assentamento para todas as famílias acampadas no país, o movimento também luta pela revisão dos índices de produtividade que determinam se a terra pode ser desapropriada para fins de reforma agrária ou não.

Segundo o MST, atualmente são 90 mil famílias que estão acampadas desde 2003 aguardando decisão do Incra para desapropriação de terras improdutivas e fundação de assentamentos. Em 2005, o governo federal havia prometido rever os índices de produtividade para a desapropriação de terras, cumprindo a lei agrária, mas até hoje os índices são os mesmos de 1975.

O Incra ainda argumenta que a crise do sistema financeiro iniciada no ano de 2008 reduziu as verbas para desapropriação, diminuindo o ritmo da reforma agrária. No entanto, o governo federal liberou em abril deste ano, com permissão do Conselho Monetário Nacional (CMN), R$ 12,6 bilhões de crédito para a agroindústria.

"O governo federal não tem priorizado as cooperativas dos sem-terra, tem priorizado o latifúndio. Eles não estão defendendo as reivindicações do nosso movimento", coloca Judite Santos, do MST de São Paulo.

As centrais sindicais resolveram aproveitar o momento de articulação do MST para também sair às ruas reivindicando que o Câmara dos Deputados aprove na semana que vem a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem redução de salários.

Segundo Vicentinho, do PT, houve pressão da bancada da oposição ao governo nesta semana para que a votação da PEC fosse adiada para semana que vem. As centrais sindicais prometeram levar 100 mil trabalhadores a Brasília no dia 25 deste mês, terça-feira, para pressionar os deputados a aprovarem a proposta.

Críticas

A discordância entre os movimentos sociais e sindicais tem sido o mesmo que tem pautado o debate político entre as bancadas no Congresso: o apoio ou não ao projeto do governo Lula com a aproximação das eleições de 2010. A Força Sindical e a CUT mantiveram os discursos de apoio ao atual governo, apesar da Intersindical e da Conlutas continuarem a denunciar o desemprego agravado pela crise econômica no início do ano.

"Agora o Brasil já se recuperou da crise econômica, já pode voltar a empregar", avalia Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, da Força Sindical. O discurso contrasta com o de outras centrais, como a Conlutas, que acreditam que a crise só passou para os banqueiros.

Mas a crítica mais incisiva dos setores de oposição foi com relação à postura do PT em proteger o senador José Sarney das acusações que tem recebido pelos atos secretos contratando funcionários públicos sem concurso.

O deputado do PSol, Ivan Valente, esteve presente e acusou o PT de sabotar a CPI da Dívida Pública criada por ele em dezembro de 2008. Ontem, 13, o partido retirou os nomes dos parlamentares que comporiam a bancada da CPI. O PSol já menifestou que pode entrar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para forçar a instalação da CPI, um direito das minorias reconhecido pelo tribunal.

As críticas só voltaram a ser consensuais no ataque aos governos do PSDB em São Paulo (SP) e no Rio Grande do Sul (RS). "O Serra tem investido 4 milhões em propaganda de um transporte que não existe, em moradia que não existe", denunciou Sonia Coelho, da Marcha Mundial das Mulheres.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum

#tags