No rastro do óleo do Nordeste
05 de novembro de 2014, 19h18

Chacina no Pará: Rotam afirma que está com “sangue nos olhos”

Nove pessoas foram mortas nas periferias de Belém só na noite de terça-feira; moradores da cidade acreditam que ação foi uma resposta ao assassinato de um policial.

Nove pessoas foram mortas nas periferias de Belém só na noite de terça-feira; moradores da cidade acreditam que ação foi uma resposta ao assassinato de um policial

Por Maíra Streit

O assassinato de nove pessoas em Belém, na terça-feira (4), tem levantado suspeita de retaliação por parte dos policiais militares após a morte do cabo Antônio Marcos da Silva Figueiredo. A Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) do Pará divulgou, em sua página no Facebook, uma foto do policial com a seguinte mensagem: “Vá com Deus, irmão! O senhor combateu um bom combate e cumpriu a sua missão, CB Pety. A caça começou!!! Te liga, vagabundo. A Rotam está com sangue nos olhos”.

Na mesma noite da morte do cabo Figueiredo, começaram a circular informações pelas redes sociais de que estaria ocorrendo uma chacina nas periferias da cidade. O clima de tensão fez com que muitos moradores não pudessem sair de casa. Todas as vítimas são homens e seis deles apresentam características de execução. A Corregedoria da Polícia Militar não descarta nem confirma a participação de membros da PM nesses crimes.

Porém, áudios e postagens na internet em perfis de policiais anunciaram que haveria um acerto de contas. Em uma das gravações divulgadas, um deles avisava: “Senhores, sério, por favor, façam o que for preciso, mas não vão para o Guamá nem para Canudos nem para o Terra Firme hoje à noite. É uma questão de segurança dos senhores, tá? Mataram um policial nosso, e vai ter uma limpeza na área. Ninguém segura ninguém, nem o coronel das galáxias”. Os casos estão sendo investigados pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Pará afirmou que a instituição não se responsabiliza pela postagem da Rotam, por não ter sido feita em um veículo de comunicação oficial. A página na rede social conta com mais de 10 mil seguidores. A mensagem polêmica sobre a morte do policial tem, até o momento, quase 10 mil curtidas e 900 compartilhamentos.

Foto de capa: Reprodução / Facebook


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