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11 de junho de 2014, 12h35

Chile rejeita projeto bilionário de hidroelétricas na Patagônia

A decisão contra o projeto foi por conta de seus inúmeros impactos negativos ao meio ambiente. A decisão foi muito comemorada por ambientalistas e comunidades locais, que há 7 anos lutavam contra o projeto

Por Redação

O governo de Michelle Bachelet rejeitou nesta terça-feira (10) o gigantesco e controverso projeto HidroAysén para a construção de cinco hidroelétricas nos rios da região da Patagônia chilena, ao sul do país.

A decisão veio após sete anos de intensa batalha de grupos ambientalistas e comunidades locais para que o governo chileno barrasse o projeto. Em uma reunião que durou três horas com um comitê ministerial, a presidenta Bachelet decidiu por não seguir em frente com o projeto de uma joint venture chileno-espanhola que visava construir uma linha de transmissão de mais de 2 mil quilômetros para as regiões norte e sul do Chile – onde se concentram os maiores centros populacionais.

Quem veio a público para informar a decisão foi o ministro do Meio Ambiente, Pablo Badeiner: “O projeto hidroelétrico está rejeitado”, disse ele. “O comitê ministerial decidiu por aceitar as reclamações apresentas pelas comunidades, pelos cidadãos e anulou a permissão ambiental do projeto HidroAysén”, completou.

“É um dia histórico”, disse o coordenador internacional da campanha Patagônia Sem Represas, Juan Pablo Orrego, ao saber da decisão. “Fico emocionado que os cidadãos – pois essa foi uma vitória dos cidadãos – tenham finalmente inspirado o governo a fazer a coisa certa a respeito desse megaprojeto.”

De acordo com diversas pesquisas, 75% dos chilenos entrevistados eram contra o projeto e, no começo de 2011, mais de cem mil pessoas fizeram uma marcha contra o HidroAysén. Para Orrego, a decisão da administração Bachelet pode trazer poderosas consequências políticas: “É uma ação corajosa”, afirmou o ativista. “Mas foi inspirada pelos cidadãos, disso não temos dúvida. Todos esses anos de batalha resultaram nessa ressonante vitória para os cidadãos”, completou.

Apesar de reconhecer a necessidade de aumentar a segurança energética do país, o fato de desmatar florestas, eliminar corredeiras e cachoeiras – que contribuem para o ecoturismo – e colocar em perigo o habitat de espécies já ameaçadas pesou mais do que a “solução” de 8 bilhões de dólares.

(Crédito da foto de capa: Greenpeace)


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