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06 de abril de 2015, 10h21

Cinco propostas para a educação brasileira

Em meio ao otimismo da nomeação do novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, que toma posse nesta segunda-feira (6), veja o que dizem pensadores da área.

(Foto: Vichaya Kiatying-Angsulee)

(Foto: Vichaya Kiatying-Angsulee)

Em meio ao otimismo da nomeação do novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, que toma posse nesta segunda-feira (6),  veja o que dizem pensadores da área. As propostas foram publicadas por Paulo Germano, do Zero Hora.

1 – Formação de Professores

Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna e professor da Universidade Federal de Pernambuco, sugere que a residência docente ocupe o lugar do atual estágio curricular — disciplina do último semestre das faculdades de licenciatura e Pedagogia — e tenha o dobro da duração: um ano inteiro. Hoje, o estágio pode ser feito em qualquer escola.

Escolas com bons laboratórios e professores de Química, por exemplo, seriam certificadas pelo Ministério da Educação para oferecerem residência em Química. Colégios cujo forte é a linguística, claro, receberiam aspirantes a lecionar Português e Literatura.

“As escolas vão lutar para atingir essa certificação, que lhe renderá benefícios do governo federal. E nós daríamos um salto na formação de professores, que hoje, na prática, não saem das faculdades sabendo ensinar”, diz Mozart.

2 – Reforma do Ensino Médio

Para o psicólogo João Batista Oliveira, PhD em Educação e presidente do Instituto Alfa e Beto, o Ensino Médio no Brasil é preconceituoso, tudo gira em torno do Enem e vestibular. Jovens propensos a trocar o estudo pelo trabalho dificilmente mudam de ideia, porque, nas palavras de João Batista, “não há nenhum estímulo à qualificação técnica, aos trabalhos manuais ou a qualquer atividade longe da faculdade.”

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João Batista lembra que em países desenvolvidos, como Inglaterra, Alemanha, Itália, França e Suíça, o nível médio é profissionalizante — como já foi no Brasil há 40 anos. E, se o estudante quiser ingressar na universidade, prestará vestibular com provas relacionadas à área que estudou nos últimos anos do colégio.

3. Alfabetização no primeiro ano

O sociólogo Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho em Sociedade do Rio de Janeiro, afirma que a alfabetização ocorre na idade errada no Brasil. Em qualquer país com ensino básico razoável, diz ele, a criança conclui a primeira série lendo e escrevendo. Ou, no mínimo, é essa a meta do governo.

O problema é que no Brasil, até os anos 1980, antes da universalização do Ensino Fundamental, quando não havia escolas públicas espalhadas nas regiões mais pobres, praticamente só a classe média tinha acesso ao colégio. Não eram filhos de analfabetos que ingressavam na escola — a maioria já tinha lápis e caneta em casa, convivia com pais letrados e chegava às aulas quase pronta.
“Qualquer método de alfabetização era suficiente”, destaca a psicóloga Maria da Penha Azevedo, pesquisadora do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia da Pesquisa e Ação. — Mas a clientela das escolas mudou, e o preparo dos professores não.

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Tanto ele quanto Maria da Penha defendem a meta de alfabetização aos seis anos — porque as crianças sentem-se incapazes e burras ao verem coleguinhas aprendendo enquanto elas fracassam — e uma verdadeira política que ensine professores a ensinar.

4. Currículo comum nas escolas

Hoje, não há qualquer referência no país sobre o que os alunos devem aprender a cada ano escolar. Não há clareza sobre o que um estudante deve saber em cada série — explica a coordenadora do movimento Todos pela Educação, Alejandra Velasco.

Hoje, cada rede ou escola tem seus próprios critérios. Mas ano a ano seus alunos são submetidos a avaliações nacionais, como a Prova Brasil ou o Enem, que cobram de todos os mesmos conhecimentos. O Plano Nacional de Educação exige que o ministério defina o currículo até junho de 2016.

“Será o primeiro passo para todos terem as mesmas oportunidades. Mas o prazo é curto e, até agora, ainda não há vimos documento inicial em discussão”,  alerta Alejandra Velasco.

5. Tecnologia no aprendizado

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“A sala de aula perdeu o monopólio da aprendizagem, que hoje tem força descomunal na internet. O Brasil tem plenas condições de desenvolver portais com gráficos supermodernos, videoaulas, interatividades e simulações tridimensionais para os alunos estudarem na hora em que quiserem, com quem quiserem e onde quiserem”, afirma Ronaldo Mota, ex-secretário de Inovação Tecnológica do Ministério da Ciência e Tecnologia, hoje reitor da Universidade Estácio de Sá.

Para ele, o orçamento do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que compra e distribui apostilas para escolas públicas, deveria ser redirecionado às inovações. “O PNLD hoje é pensado como se os autores dos livros ou os gestores das escolas, todos de cabelos brancos como os meus, fossem os estudantes. É uma linguagem ultrapassada”, diz Ronaldo Mota. “Ou atualizamos nossa visão, ou fracassaremos. Não adianta os deputados brigarem pela escola de tempo integral se o colégio é desmotivador: vira uma dupla tortura.”


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