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30 de agosto de 2016, 19h09

“Quem perde a capacidade de se indignar diante da injustiça, perdeu sua humanidade”, diz Cardozo, emocionado

Advogado de Dilma Rousseff no processo de impeachment, o ex-ministro José Eduardo Cardozo chorou ao comentar a declaração de Janaina Paschoal. “Achei profundamente injusta a menção aos netos. Eu não condeno alguém dizendo que vou resolver o futuro dos netos. Não posso fazer isso. Isso não se faz”

Por Jornal GGN

Advogado de Dilma Rousseff no processo de impeachment, o ex-ministro José Eduardo Cardozo chorou ao comentar a declaração de Janaina Paschoal, uma das autoras das acusações contra a presidente por crime de responsabilidade fiscal. Em seu discurso final, Janaina derramou algumas lágrimas, pediu desculpas à Dilma pelo sofrimento causado e disse que fez o que fez porque pensou no futuro dos netos da presidente.

“(…) Mesmo estando certa, peço desculpas para a presidente, mas não pelo que tenho feito, mas porque sei que o que ela está vivendo não é fácil. Sei que lhe causei sofrimento. Espero que ela um dia entenda que eu fiz isso também pensando nos netos dela”, encerrou Janaina, aos prantos.

“As palavras da acusação foram muito injustas. Para quem conhece Dilma Rousseff… pedir a condenação para defender os seus netos é algo que me atingiu muito fortemente. É errado. Não é justo. (…) Achei profundamente injusta a menção aos netos. Eu não condeno alguém dizendo que vou resolver o futuro dos netos. Não posso fazer isso. Isso não se faz”, rebateu Cardozo, emocionado.

Ao longo de sua intervenção, Janaína fez um discurso apegado à Lei de Responsabilidade Fiscal, mas também atacou o PT e Dilma por divergências políticas. Ela aproveitou o momento de acusação da presidente para dizer que não foi contratada pelo PSDB, por R$ 45 mil, para fazer o pedido de impeachment levado à Câmara. Foi criticada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT), que disparou que se Janaina quisesse fazer discurso político e não técnico, deveria tentar se eleger antes.

Cardozo, por sua vez, disse que o crime de responsabilidade fiscal apontado pela acusação é só um pretexto para tirar Dilma do poder em função da crise política e econômica. Ele resgatou a trajetória de luta da presidente durante a ditadura militar, e incitou seus ex-ministros – alguns, hoje, favoráveis ao impeachment – a apontar existência de irregularidades nos atos da petista.

Ao final, Cardozo descredenciou a defesa de Janaina, mas disse que o pior momento foi o da menção à família da presidente. Ele disse que atacar o PT é algo rotineiro e que os partidários já estão acostumando, mas citar os netos foi um ataque injusto. O ex-ministro saiu abraçado com petistas.

“Acho que do ponto de vista humano, aquele que perde a capacidade de se indignar diante de uma injustiça, perdeu sua humanidade. Por isso me emocionei, não perdi minha humanidade”, comentou.


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