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26 de julho de 2017, 18h49

CNJ vai investigar conduta de desembargador que soltou filho de colega

Breno Fernando Solon Borges, preso com mais de 100 quilos de maconha e munição pesada, é considerado de “alta periculosidade” pela Polícia Federal e, no entanto, foi solto na última sexta-feira e encaminhado a uma clínica através de um habeas corpus concedido pelo desembargador José Ale Ahmad Netto, colega de sua mãe, também desembargadora. Breno é suspeito de ser agente de um chefe do tráfico que está preso

Por Redação 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, nesta quarta-feira (26), investigar a conduta do desembargador José Ale Ahmad Netto que, na última sexta-feira (21), concedeu habeas corpus ao engenheiro Breno Fernando Solon Borges, filho de uma desembargadora. Ele foi preso em abril com mais de cem quilos de maconha e munições pesadas mas sua mãe e sua defesa alegaram que ele sofre de distúrbios mentais. Sob essa alegação, o desembargador José Ale Ahmad Netto resolveu atender aos pedidos da defesa e da família e encaminhá-lo a uma clínica no Mato Grosso do Sul.

O corregedor-geral do CNJ, ministro João Otávio de Noronha, determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul informe sobre dois habeas corpus concedidos ao empresário Breno Fernando Solon Borges. O objetivo do corregedor é também saber se houve “atuação indevida” da desembargadora, que é presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul (TRE-MS).

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Conforme noticiado pelo Blog do Rovai,  Breno Fernando Solon Borges, de 37 anos, é considerado pela Polícia Federal como de “alta periculosidade”.

Ao determinar a soltura de Breno na última sexta-feira, no entanto, o desembargador de plantão José Ale Ahmad Netto ignorou que, além do mandato de prisão por tráfico de drogas, o filho da desembargadora é investigado pela participação no plano de fuga de um chefe do tráfico de drogas, preso em Três Lagoas. Após a soltura de Breno, veio à tona o relatório de 27 páginas da operação Cerberus, da Polícia Federal, que investiga uma organização montada para assassinatos, corrupção de servidores públicos, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e porte ilegal de arma da qual Breno faria parte. No relatório, há a transcrição de um grampo que a PF fez de uma troca de mensagens entre Breno e Tiago Vinícius Vieira, o suposto chefe do tráfico que está preso. Nas mensagens, o filho da desembargadora estaria articulando um plano “cinematográfico” de fuga de Tiago da prisão. Breno foi apontado pela PF como o principal agente do líder preso.

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