Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
05 de março de 2019, 08h49

Com homenagem a Marielle, negros e índios, Mangueira conta a verdadeira história do Brasil

A verde e rosa surpreendeu o público com uma contundente crítica a "história oficial" do Brasil e homenageou os verdadeiros heróis da pátria; assista

Marielle presente na Sapucaí (Foto: Carnavalize)

A Estação Primeira de Mangueira mais uma vez encantou o público da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, na madrugada desta terça-feira (5), segundo dia de desfile das escolas de samba do grupo especial.

A agremiação, com o enredo “História pra ninar gente grande”, contou a verdadeira história do Brasil ao homenagear heróis esquecidos como lideranças negras, indígenas e mulheres, como Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em 2018, e apresentou uma visão crítica de personagens normalmente enaltecidos pelos livros de história, como os bandeirantes.

O segundo carro alegórico, por exemplo, representava uma releitura do Monumento às Bandeiras, de São Paulo, manchado de sangue, representando os assassinatos de indígenas encampados pelos bandeirantes, que normalmente são tidos como heróis e chegam a dar nomes a rodovias. “Heróis oficiais” como Dom Pedro I, Princesa Isabel e Pedro Álvares Cabral também foram ironizados e desconstruídos pela comissão de frente.

Entre os “heróis esquecidos” homenageados pela escola, estão, por exemplo, o lendário Sepé Tiaraju, guerreiro indígena que lutou contra a dominação portuguesa e espanhola no Brasil, e mulheres negras do Quilombo dos Palmares, como Acotirene e Dandara.

A homenagem a Marielle Franco, citada no enredo, foi um dos destaques do desfile. O rosto da vereadora e ativista dos direitos humanos foi estampado em bandeiras e faixas na última ala, que contou com a presença, na avenida, do deputado federal Marcelo Freixo e do vereador Tarcísio Motta, ambos do PSOL, partido de Marielle, além da viúva da vereadora, a arquiteta Mônica Benício.

Marcelo Freixo desfila na última ala, dedicada a Marielle Franco (Reprodução/Twitter)

Outro destaque do desfile da verde e rosa foi o carro que representou os assassinatos e perseguições da ditadura militar, que contou com a presença da jornalista Hildegard Angel,  filha de Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel, ambos assassinados pelo aparelho repressor dos anos de chumbo. Ela estava em cima de um livro gigante e a frente de um em que se lia “ditadura assassina”.

A jornalista Hildegard Angel representou as vítimas da ditadura militar (Reprodução/TV Globo)

Assista, abaixo, a íntegra do desfile.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum