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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Concentração populacional favorece homicídios e suicídios de índios Guarani Kaiowá

Levantamento divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) durante o Acampamento Terra Livre, organizado na última semana em Brasília, mostra que 42 índios da etnia Guarani Kaiowá foram assassinados em 2008. No ano passado, também ocorreram 34 suicídios.

“Sem terra, não tem muito sentido a vida”, disse Anastácio Peralta, líder indígena de Mato Grosso do Sul. Para Peralta, há uma “política de extermínio” contra os indígenas que não querem “viver em favela” ou em reserva com superconcentração populacional para os padrões dos Guarani Kaiowá.

Na opinião do procurador Marco Antônio Delfino de Almeida, do Ministério Público Federal em Dourados, as mortes violentas dos índios resultam da política de colonização iniciada na década de 1920. “A política do Estado gerou desestruturação, uma perda de relações familiares e outras consequências como a falta de recursos naturais para prover a comunidade”, disse o procurador lembrando que os índios chegaram a ser assentados em área por onde não passava nem rio.

O procurador Emerson Kalif Siqueira, do MPF em Campo Grande, explicou que a política de colonização resultou no quadro de hoje (agravado pela pressão do agronegócio). “Se estivessem em área maior, não teria ocorrido primeiramente a mistura de grupos distintos, ou de aldeias distintas”, afirmou. Segundo ele, com o aumento do número de índios, ocorreram “disputas de espaço e poder” e generalizou um quadro psicológico de “depressão”.

O antropólogo Fábio Mura, que fez uma pesquisa e trabalho de campo na região dos Guarani Kaiowá durante sete anos, explicou que a cultura da etnia exige que os grupos familiares estejam mais isolados. “Um distanciamento espacial suficiente para reproduzir continuamente espaços domésticos sem ter como vizinho imediato uma família inimiga”, afirmou.

Com informações da Agência Brasil.


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