Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
08 de fevereiro de 2012, 19h13

Condenação geral ao golpe de Estado em Honduras

Carros blindados e tanques saíram ontem às ruas de Tegucigalpa, horas depois do alto escalão das Forças Armadas prender o presidente de Honduras, Zelaya Rosales (na foto, com o presidente Lula.) Os veículos militares tomaram as ruas que dão acesso à residência presidencial, segundo a Agência Efe, enquanto aviões caça sobrevoam a capital hondurenha.

Zelaya havia prometido realizar uma consulta popular para decidir se a Constituição pode ser alterada, o que poderia permitir a reeleição presidencial. O plano do presidente foi considerado ilegal pelo Congresso e pela Justiça do país, enfrentando a oposição também do Exército.

Protestos de vários lados
Começou às 12 horas (de Brasília) de ontem, em Washington, reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA) para analisar a situação.

Em Caracas, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, condenou hoje o ‘‘golpe de Estado troglodita‘‘ cometido contra seu colega de Honduras, Manuel Zelaya, e destacou que ‘‘chegou a hora do povo‘‘ e dos movimentos sociais desse país. Chávez também pediu ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ‘‘que se pronuncie‘‘, já que, disse, ‘‘o império tem muito a ver‘‘ com o que acontece em Honduras.

Em La Paz, o presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu aos organismos internacionais, aos seus colegas da América Latina e aos líderes de movimentos sociais que ‘‘condenem e repudiem o golpe de Estado militar em Honduras‘‘. Em declarações no Palácio do Governo, Morales disse que neste momento há uma ‘‘emergência internacional‘‘ em Honduras, onde o presidente Manuel Zelaya foi detido pelos militares e levado para uma base da Força Aérea.

Porém a condenação não se circunscreve à esquerda latino-americana, da qual Zelaya se aproximou em busca de mudanças de fundo em seu país. A União Europeia (UE), dominada por conservadores, já condenou o golpe militar. Comunicado divulgado pelos 27 chanceleres da UE classificou a deposição de ‘‘inaceitável violação da ordem constitucional em Honduras‘‘. A UE exigiu ainda a imediata libertação de Zelaya e ‘‘a volta à normalidade constitucional‘‘.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também se declarou "profundamente consternado com os informes que chegam de Honduras sobre a detenção e expulsão do presidente Zelaya". Obama disse que as disputas no país "devem ser resolvidas pacificamente através de diálogo livre de qualquer interferência externa".

Brasil também condena

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou hoje (29) o que considera um golpe de Estado em Honduras. Segundo ele, a única saída para o país é a democracia. “Não há meio termo. Temos que condenar esse golpe”, disse Lula em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente.

“Não podemos aceitar ou reconhecer qualquer novo governo que não seja o do presidente Zelaya, porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia. E nós não podemos aceitar mais, na América Latina, alguém querer resolver o seu problema de poder pela via do golpe”, afirmou Lula.

Centenas de soldados tomam a capital

Zelaya foi eleito em 2006 e, sob a atual Constituição hondurenha, não pode disputar a reeleição. Ele queria realizar uma consulta popular para decidir se uma Assembléia Constituinte deve ser convocada para fazer mudanças constitucionais junto com as eleições, marcadas para novembro. O presidente disse que não tem intenção de concorrer novamente ao cargo, mas que quer apenas que presidentes futuros tenham essa chance.

Na terça-feira, o Congresso aprovou uma lei que proíbe a realização de referendos ou plebiscitos 180 dias antes ou depois de eleições gerais, feita sob medida para impossibilitar os planos do presidente. Em seguida, o chefe do Exército disse que não ajudaria na organização do referendo para não desrespeitar a lei.

Na quinta-feira, o presidente e seus simpatizantes entraram em uma base militar e retiraram as urnas que estavam guardadas lá. ‘‘Nós não vamos obedecer a Suprema Corte‘‘, disse o presidente a uma multidão de simpatizantes em frente à sede do governo. ‘‘A corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia.‘‘

No sábado, o presidente ignorou uma decisão da Suprema Corte para devolver o cargo ao chefe do Exército, general Romeo Vasquez, que foi demitido após se negar a ajudar na preparação do referendo.

Líderes militares se recusaram a entregar urnas para a votação, uma decisão que levou à demissão do general Vasquez e à renúncia do ministro da Defesa, Edmundo Orellana. Os chefes da Marinha e da Aeronáutica também renunciaram em protesto. O Exército, por sua vez, colocou centenas de soldados nas ruas da capital, dizendo que quer prevenir que os aliados do presidente causem confusão. 

Com informações de Vermelho e Agência Brasil.

Foto de Ricardo Stuckert (Agência Brasil).


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum

#tags