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17 de dezembro de 2019, 12h09

Congresso chileno instala investigação contra família Piñera por uso de paraísos fiscais

As empresas da família, hoje administradas pelos filhos do presidente chileno (que também é o empresário mais rico do país) teria feito transferências de quase 500 milhões de dólares a contas offshore, buscando evadir os impostos correspondentes, segundo reportagem do periódico El Desconcierto.

Sebastián Piñera - Foto: Sérgio Cruz/Agência Brasil

A manhã desta terça-feira (17) trouxe uma nova má notícia presidente do Chile, o megaespeculador e político neoliberal Sebastián Piñera. Por 68 votos a favor, 53 contrários e uma abstenção, a Câmara dos Deputados aprovou a instalação de uma comissão investigadora, para estudar as denúncias sobre o uso de paraísos fiscais por parte das empresas da família Piñera Morel, e se os organismos estatais responsáveis por fiscalizar essas movimentações foram coniventes com o caso.

O autor da iniciativa é o deputado Gonzalo Winter (Frente Ampla), que se baseou em uma reportagem bomba publicada pelo periódico local El Desconcierto. Segundo o meio, um dos mais conceituados da imprensa progressista latino-americana, entre 2015 e 2016, a empresa Bancard Inversiones Limitada – controlada pela família Piñera Morel e administrada pelos filhos do presidente, desde que o pai se afastou dos negócios para se dedicar à política – realizou transferências que somam um total 496 milhões de dólares, à conta nas Ilhas Virgens Britânicas também em nome da família.

O SII (Serviço de Impostos Internos, similar no Chile à Receita Federal) detectou essas anomalias no final de 2017, quando Piñera estava em campanha presidencial e iniciou uma investigação sigilosa, que terminou com condenação e pena de multa, após o reconhecimento por parte dos acusados de que não foram pagos os impostos pertinentes ao valor movimentado. No entanto, a investigação do El Desconcierto também comprova que o Estado chileno – que hoje fala em dificuldades em arrecadação para explicar seus maus resultados econômicos –, perdoou a multa estabelecida pelo organismo fiscal.

Segundo o deputado Winter, a investigação contra Piñera “coloca contra as cordas um dos multimilionários mais importantes do mundo, que deverá responder pelos crimes que cometeu através dos seus negócios”. Além de ser o empresário mais rico do Chile, Piñera também se coloca no posto 804 no ranking mundial de milionários da revista Forbes.

Na semana passada, o presidente se safou de um processo de impeachment, após quatro deputados da oposição votarem a seu favor em um caso de violações aos direitos humanos – os quatro foram flagrados em reunião com o ministro do Interior, horas antes da votação. Esta nova investigação, caso comprove crime de responsabilidade do presidente, poderia iniciar um novo processo de impeachment.

Piñera também responde a dois processos na Suprema Corte de Justiça por violações aos direitos humanos cometidas durante o Estado de exceção que decretou entre os dias 20 e 27 de outubro, durante o início da crise social no país. Em pesquisas recentes, sua rejeição mostrou um salto de 52% a 79%, e também é uma maioria (54%) os que acreditam que sua renúncia ajudaria a melhorar a situação do país. Em entrevista neste domingo a uma emissora de TV local, o presidente assegurou que não vai renunciar, apesar do quadro desfavorável.


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