Conheça a trajetória de Joe Biden

Eleito senador aos 29 anos, o democrata possui uma longa trajetória na política norte-americana. Hoje, é o candidato a presidente mais votado na história dos EUA

O 46º presidente dos Estados Unidos, o democrata Joseph Robinette Biden Jr., de 77 anos, tem longa trajetória na política norte-americana. Além de vice-presidente no governo Obama, foi senador do estado de Delaware por seis mandatos consecutivos até disputar as eleições presidenciais contra Donald Trump.

Joe Biden nasceu em 1942, em Scranton, no estado da Pensilvânia. Filho de um vendedor de carros, Biden costuma exaltar suas origens e a classe trabalhadora em comícios. “As famílias trabalhadoras precisam de alguém a seu lado… Porque certamente não têm ninguém a seu lado com este presidente [Trump]”, afirmou durante Convenção Nacional Democrata.

Formado em Direito, o democrata iniciou cedo sua carreira política. Aos 29 anos, em 1972, ele foi eleito senador em Delaware, um dos mais jovens senadores da história norte-americana. A comemoração, no entanto, durou pouco. Um mês depois, Biden perdeu sua primeira esposa, Neilia Hunter, e sua filha de um ano em um acidente de carro quando saíram para comprar uma árvore de Natal.

Além das mortes, seus outros dois filhos, Beau e Hunter, ficaram gravemente feridos. Na cerimônia de posse como senador, Biden fez seu juramento em um hospital, ao lado do leito das duas crianças. O filho mais velho, Beau, tentou ingressar na política, mas acabou morrendo de câncer em 2015.

Essa não é a primeira vez que Joe disputa a presidência. Em 1988 e em 2008, o democrata fracassou ao tentar se candidatar. Na primeira tentativa, desistiu após descobrir dois aneurismas cerebrais severos e precisou ser operado. De qualquer forma, as tentativas compensaram em 2020, quando se tornou o candidato a presidente mais votado na história dos EUA, ultrapassando até mesmo o resultado de Obama em 2008.

Algumas escolhas de Biden ao longo de sua carreira, no entanto, provocaram críticas entre democratas. Em 1994, por exemplo, ele foi criticado por ter auxiliado na redação de uma lei que teria provocado um aumento na prisão de negros ao instituir o “controle de crimes violentos”. O democrata reconheceu recentemente que errou na elaboração da norma. Além disso, Biden votou a favor da guerra imperialista no Iraque, que matou cerca de meio milhão e civis iraquianos.

Como vice de Obama, Biden também tem destaques. Ele atuou na aprovação do estímulo fiscal de 2009, após a crise imobiliária de 2008. Além disso, atuou para conter a crise de orçamento de 2013, negociando com os republicanos.

Ato da igualdade: o ambicioso plano LGBT de Joe Biden

O presidente eleito Joe Biden fará dos direitos LGBTQ uma prioridade em seu governo. O democrata tem dito repetidamente aos seus aliados que, assim que tomar posse vai revogar todos os decretos de Donald Trump que impuseram algum tipo de restrição à população LGBT.

Entre os decretos de Trump, um deles foi destaque durante a eleição presidencial estadunidense: a proibição de que pessoas transexuais sirvam às Forças Armada. Joe Biden, em mais de uma entrevista, já afirmou que revogar essa medida será a sua primeira ação como presidente de fato.

Mas, de acordo com o portal LGBTQ Nation, a promessa mais ambiciosa do novo presidente dos EUA é a aprovação do Ato de Igualdade nos primeiros 100 dias de sua gestão. Isto porque tal medida não depende exclusivamente de Biden, mas sim da aprovação da Câmara dos Representantes e do Senado, nesta casa os Republicanos têm maioria.

O Ato de Igualdade é um composto de leis destinado à população LGBT que visa, entre eles garantir o casamento igualitário, a criminalização da homofobia e a adoção para casais gays. Medidas que dependem das duas casas legislativas para avançarem.

Os Democratas mantêm o controle na Câmara dos Representantes e o Senado aguardo o desfecho na disputa por uma das cadeiras que está sendo disputada na Geórgia: os Democratas serão maioria se Jon Ossoff e o Reverendo Raphael Warnock vencerem suas disputas em janeiro, quando vai ocorrer o segundo turno na disputa por duas cadeiras do Senado (representando a Geórgia).

Porém, se os dois Democratas não vencerem a disputa pelo Senado na Geórgia, os planos de Biden e Harris para aprovar o Ato de Igualdade podem ser tornar mais difíceis, pois, dessa maneira o senador Mitch McConnel (Republicano) retornará como líder do Senado e já prometeu atuar para barrar a aprovação de tal Ato.

A disputa pelo Senado na Geórgia tem chamado a atenção por conta de um dos candidatos Democrata: o reverendo Raphael Warnock, que é pastor sênior da Igreja Batista Ebenezer, a mesma de Martin Luther King, e é apontado por muitos como o “Dr. King do século XXI”, além disso, Warnock ganhou destaque nacional por ser um ferrenho defensor dos direitos LGBT.

“Existem irmãs e irmãos gays ao nosso redor. A igreja precisa ser honesta sobre a sexualidade humana. Alguns deles estão no painel inaugural e eles o cumprimentaram esta manhã”, declarou Warnock à sua congregação em 2012.

Tanto Warnock quanto Ossoff tem declarado à imprensa que, se eleitos vão lutar pela manutenção do casamento igualitário e trabalhar pela aprovação dos direitos das LGBT à adoção aos casais gays.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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