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09 de julho de 2020, 22h56

Conhecido por episódio fatídico de violência policial, Mateus Ferreira será candidato a vereador pelo PT

Estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal de Goiás, que sofreu traumatismo craniano após um golpe de cassetete de um PM, vai disputar uma vaga na Câmara de Goiânia (GO)

Foto: Reprodução/Facebook

O estudante Mateus Ferreira lançou nesta quinta-feira (9) pré-candidatura para concorrer a uma vaga na Câmara Municipal de Goiânia pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Ele tem 37 anos, é graduado em Tecnologia em Informática pela FATEC-SP e está se formando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás.

Mateus ficou conhecido depois de ser vítima de brutal violência policial durante um protesto, em 2017. O estudante recebeu um golpe de cassetete disparado pelo capitão Augusto Sampaio, então subcomandante da 37ª Companhia da Polícia Militar de Goiânia. A angustiante imagem do cassetete se rompendo na sua cabeça rodou o mundo.

O momento em que Mateus Ferreira da Silva é atingido pelo capitão Augusto Sampaio de Oliveira Neto durante protesto, em Goiânia (Foto: Reprodução/Facebook)

A força foi tamanha que Mateus teve traumatismo craniano e múltiplas fraturas. Ele ficou internado 16 dias e passou por cirurgias plásticas para reconstruir o rosto. De lá para cá, afiou o discurso e se tornou uma referência na luta por Direitos e pela Educação.

“Se por um lado a tragédia que sofri me trouxe danos irreparáveis, por outro, esse mesmo destino me fez resiliente e me aproximou de todo tipo de dores invisíveis da sociedade. Dores que somente uma mãe que não consegue trabalhar porque sem vaga na creche não pode deixar suas crianças sozinha em casa. Ou a dor do aposentado que após uma vida inteira de muito sacrifício para criar a família mal pode curtir os anos de descanso que ainda tem porque precisa seguir sendo o provedor financeiro de filhos e netos, por conta do desemprego que só aumenta. Sem falar da total falta de políticas publicas para a juventude e o total descaso e humilhação com que milhares de profissionais que integram a rede publica de Educação são obrigados a sofrer. A verdade é que precisamos de representantes que de fato tenham lastro com as dores reais do nosso Brasil profundo, sem rabo preso com grandes conglomerados ou agendas obscuras”, afirma Mateus.

“Acredito que é preciso uma mudança brusca, que quebre todos os atuais paradigmas dos mandatos, que precisam de fato se tornar populares. Imagine você que mesmo com todo o cansaço de um dia de trabalho infernal, o trabalhador da periferia ainda consegue tempo para participar da votação de um Big Brother, por exemplo. Esse mesmo trabalhador poderia estar gastando seu tempo interagindo de forma benéfica para ajudar a decidir sobre temas da cidade que o afetam. Para isso, basta um pouco mais de empenho dos parlamentares, que se acomodam e acabam se preocupando apenas com sua reeleição. Mas além disso, é necessária uma ruptura dessa morosidade burocrática que consome até mesmo os políticos mais bem intencionados. Existem experiências bem sucedidas em outros países, como o Podemos da Espanha, que já demonstraram que é possível a participação popular em cada detalhe, em cada passo que os representantes da classe política dão. Neste sentido, acredito que estou pronto para o cargo e aceito o desafio”, completa.

Mateus foi candidato a deputado estadual em 2018, com uma votação considerável. Ele conta que aproveitou a experiência da eleição anterior para ouvir atentamente as pessoas que diariamente se aproximam dele com seus dilemas, queixas e histórias.

“Parece que está chegando ao fim a era dos discursos raivosos com soluções milagrosas. O processo de se apropriar da própria cidadania é longo e contínuo. Apesar de ser muito concorrido, um mandato não é um bilhete de loteria premiado e a cada eleição todos nós vamos ficando mais atentos sobre a importância do voto consciente, de votarmos em pessoas que de fato têm algum comprometimento com a melhoria da cidade. Neste sentido, ainda acredito no olho no olho. O eleitor não vai mais apostar em fanfarrões, ele quer alguém em quem realmente possa confiar. Alguém que tem empatia pelas suas dores”, revela o pré-candidato.


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